GAZA - Os grupos palestinos em Gaza decidiram neste domingo aplicar um cessar-fogo no território palestino de uma semana, durante uma reunião em Damasco, anunciou um porta-voz da Jihad Islâmica. O Hamas também divulgou comunicado anunciando a trégua de uma semana, mas exigindo a retirada de tropas israelenses da região.

"Os grupos palestinos se reuniram em Damasco e anunciarão em breve um cessar-fogo das facções palestinas durante uma semana com o objetivo de abrir as passagens fronteiriças e deixar que a ajuda humanitária entre", afirmou Daud Chihab.

"Durante esse período, a resistência está disposta a responder a todos os esforços egípcios, turcos, sírios e árabes que permitam um acordo para a retirada completa das forças israelenses e a abertura total dos postos de passagem", indicou o porta-voz.

O Hamas também declarou um cessar-fogo de uma semana para que o exército israelense se retire da Faixa de Gaza. O movimento islâmico fez o anúncio em comunicado divulgado à imprensa. Na nota, o Hamas diz ter o apoio dos grupos armados que operam na região.

Trégua permanente

Líderes europeus e do Oriente Médio começaram neste domingo uma cúpula que busca a pacificação da Faixa de Gaza e a reconstrução desse território palestino. "O objetivo é muito importante: impulsionar o processo de paz", afirmou o anfitrião do encontro e presidente do Egito, Hosni Mubarak, segundo quem a conferência também tentará colocar um fim ao bloqueio israelense sobre Gaza.

A cúpula, que acontece em Sharm el-Sheikh, balneário turístico do sul da Península do Sinai, tem entre seus convidados os chefes de Estado ou de Governo de França, Alemanha, Itália, Reino Unido, Turquia e Jordânia.

Outros participantes do encontro são o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, de viagem pela região, e o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, que chegou de manhã cedo ao Cairo para se reunir com Mubarak.

Na mensagem de abertura da cúpula, Mubarak fez um apelo a favor da reconciliação entre os palestinos e da superação das diferenças entre as forças leais a Abbas e ao Hamas, o movimento que controla a Faixa de Gaza há um ano e meio.

Essa reconciliação palestina, acrescentou Mubarak, "tem uma grande importância para o alcance da estabilidade e a reconstrução" do território.

Por sua vez, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, elogiou o "bom trabalho" que o Egito fez para evitar a escalada do conflito em Gaza, que explodiu em 27 de dezembro. "Agora estamos seguindo os esforços egípcios", afirmou Sarkozy.

Retirada israelense

O exército israelense se retirou neste domingo de posições-chave na cidade de ciudad de Gaza e seus arredores, depois que o Estado hebreu cessou inilaeralmente sua ofensiva contra o Hamas, declararam testemunhas.

Os tanques deixaram sua principal posição na antiga colônia de Netzarim, no sul de Gaza, abrindo pela primeira vez desde 3 de janeiro a estrada entre o sul e o norte da Faixa de Gaza. As tropas também se retiraram da região norte, até Atatra. Depois se posicionaram nas fronteiras norte e leste, ainda dentro do território palestino.

As imagens da televisão israelense mostraram os soldados se dirigindo para a fronteira, muitos deles com bandeiras nacionais e fazendo sinais de vitória.

Corpos encontrados em escombros

Noventa e cinco corpos de palestinos foram encontrados neste domingo entre os escombros da Faixa de Gaza desde que havia entrado em vigor o cessar-fogo israelense, segundo o chefe dos serviços de emergência palestinos.

A maior parte dos corpos foi retirada das ruínas deixadas pelos bombardeios israelenses em Jabaliya e Beit Lahya, no norte da Faixa de Gaza, assim como no bairro de Zeitun, indicou o médico.

Em três semanas de ofensiva cerca de 1.300 palestinos perderam a vida, sendo mais de 410 crianças e 108 mulheres.

Ataques após o cessar-fogo de sábado

Poucas horas após declarar cessar-fogo unilateral na Faixa de Gaza, Israel voltou a atacar o norte do território palestino em resposta a ataques com foguetes lançados pelo grupo palestino Hamas na manhã deste domingo. Seis foguetes palestinos atingiram esta manhã a cidade israelense de Sderot, no sul do país.  

Israel havia interrompido os ataques contra a Faixa de Gaza desde as 2 horas da madrugada deste domingo (22h, horário de Brasília), e pela primeira vez em três semanas a população de Gaza pôde dormir sem ouvir as explosões. Mas a paz durou pouco.

Pouco após a retaliação desta manhã, o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, disse que o cessar-fogo unilateral declarado no sábado era "frágil" e que estava sendo reavaliado "minuto a minuto".

Parte das tropas israelenses começaram a deixar Gaza após o anunciao de Israel, mas muitos soldados permaneceram no território até que a situação se estabilize.

Reuters
Disparo feitos por tropas de Israel no norte de Gaza

Objetivos alcançados

Em um pronunciamento de TV na noite de sábado, Olmert anunciou a trégua em Gaza, mas alertou que seu sucesso "dependeria do Hamas". Se o grupo militante continuar disparando foguetes contra Israel, Israel reagirá com força, afirmou.

"O gabinete (de governo) israelense decidiu aprovar o pedido feito pelo governo do Egito, representado pelo presidente Hosni Mubarak, para paralisar os ataques do Estado de Israel como parte de um entendimento bilateral entre Israel e Egito, que vão trabalhar juntos para evitar o contrabando contínuo de armas pela fronteira até a Faixa de Gaza", afirmou Olmert.

No pronunciamento em Tel Aviv, Olmert afirmou que a ofensiva de Israel conseguiu alcançar todos seus objetivos na Faixa de Gaza.

Segundo o primeiro-ministro israelense, o Hamas foi muito prejudicado em termos militares e de infra-estrutura de governo, fábricas de foguetes e dezenas de túneis para contrabando foram destruídos.

Um porta-voz do Hamas, Fawzi Barhoum, condenou o cessar-fogo e disse que o Hamas não poderia "aceitar a presença de um único soldado (israelense) na Faixa de Gaza".

O porta-voz acrescentou que Israel deve se retirar completamente do território, suspender o bloqueio econômico à Faixa de Gaza e abrir as passagens da fronteira.

(Com informações das agencia EFE, AFP e BBC Brasil)

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