Conflito no norte entre xiitas e salafistas sunitas é um dos vários que assolam atualmente país, palco da Primavera Árabe

Incursões de militantes xiitas na cidade sunita de Sa'ada, no norte do Iêmen, deixou ao menos 24 mortos e dezenas de feridos entre sábado e este domingo, disseram médicos e testemunhas. De acordo com os médicos ouvidos pela rede de TV americana CNN, ao menos 61 sunitas também ficaram feridos quando suas casas foram atingidas por granadas.

Manisfestantes contrários ao governo de Saleh protestam neste sábado em Sanaa (26/11)
Khaled Abdullah/Reuters
Manisfestantes contrários ao governo de Saleh protestam neste sábado em Sanaa (26/11)
Segundo com um porta-voz dos combatentes salafistas sunitas, o ataque, que deixou três mortos no sábado, continuou durante a tarde de domingo. O conflito no norte é um dos vários que assolam atualmente o Iêmen, que planeja realizar eleições no próximo ano para substituir o presidente Ali Abdullah Saleh .

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Saleh concordou nesta semana a deixar o poder depois de dez meses de protestos para pôr fim a seus 33 anos de governo. O que começou como um pacífico movimento contra o presidente evoluiu em meses para um conflito armado entre diferentes tribos e milícias. Cinco ou seis províncias já não estão mais sob o controle do governo. A revolta deixou centenas de mortos e milhares de feridos.

Depois de assinar o acordo nesta semana, Saleh afirmou que cooperará plenamente com o governo de unidade nacional proposto para seu país, que incluirá a oposição. Segundo o pacto assinado com a oposição iemenita durante uma cerimônia sediada pelo rei saudita Abdullah na capital Riad, Saleh receberá imunidade e manterá seu título de presidente até que um sucessor seja eleito.

No sábado, o vice-presidente do Iêmen, Abdo Rabu Mansur Hadi, emitiu um decreto convocando eleições presidenciais para 21 de fevereiro de 2012.

Os vizinhos do Iêmen, além de Washington e das Nações Unidas, esperam que um processo político consiga impedir que o país empobrecido e repleto de armas mergulhe na guerra civil. As potências regionais, inclusive a Arábia Saudita, maior exportadora de petróleo do mundo, temem que um vácuo político no Iêmen reforce a Al-Qaeda no país.

*Com Reuters

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