Militantes islâmicos envolvidos em uma série de confrontos com militares no norte da Nigéria estão fugindo da cidade de Maiduguri, depois que o enclave que eles ocupavam foi tomado pelos soldados, nesta quinta-feira, segundo relatos vindos do país. O Exército nigeriano diz ter invadido a base do líder da seita radical islâmica Boko Haram e afirma que está em ampla vantagem sobre os militantes.

AFP
Mais de 200 pessoas já morreram nos confrontos
Horas antes, no entanto, as autoridades locais chegaram a anunciar que os membros da seita haviam tomado o controle de seis distritos de Maiduguri.

Um correspondente da BBC na Nigéria diz que as comunicações com a cidade continuam difíceis e não é possível ter informações independentes sobre o que realmente está ocorrendo.

Lei islâmica

A operação na qual o Exército teria tomado o controle do enclave ocorreu depois que mais mil soldados foram destacados para reforçar os batalhões atuando em Maiduguri.

Mais de 200 pessoas morreram desde o início dos confrontos, há quatro dias, quando cerca de mil militantes começaram a atacar prédios do governo e delegacias na cidade.

O grupo Boko Haram ("Educação é proibida", em tradução livre), que é liderado por Mohammed Yusuf, é contra o sistema de educação ocidental e acreditam que o governo nigeriano foi corrompido pelas ideias do Ocidente. Eles desejam impor a lei islâmica em todo o país.

As forças de segurança nigerianas começaram a atacar a base de Yusuf na terça-feira. Violentos confrontos continuaram por toda a quarta-feira.

Ainda na quarta-feira, a polícia libertou cerca de cem mulheres e crianças que estavam sendo mantidas pelos militantes em um prédio de Maiduguri.

Os reféns contaram à BBC que ficaram presos durante seis dias, se alimentando apenas de tâmaras e água.

Muitas das mulheres disseram que seus maridos eram seguidores da seita e que eles foram obrigados a viajar de várias partes da Nigéria para Maiduguri.

Quatro Estados do norte do país estão sendo atingidos pelos conflitos, onde houve mortes e incêndios criminosos.

A lei islâmica, Sharia, vigora no norte do país, mas não há histórico de violência ligada à Al-Qaeda na Nigéria.

A população nigeriana, de cerca de 150 milhões de pessoas, é dividida quase que igualmente entre muçulmanos e cristãos e os dois grupos convivem de forma pacífica, apesar dos episódios ocasionais de violência.

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