Militante dos direitos humanos é assassinada na Rússia

Uma militante dos direitos humanos russa, Natalia Estemirova, que denunciava perseguições políticas na Chechênia oficialmente pacificada, foi sequestrada e assassinada nesta quarta-feira, um crime que indignou o presidente russo Dmitri Medvedev.

AFP |

O corpo de Natalia Estemirova da ONG Memorial foi descoberto às 17H20 (13H20 GMT) numa floresta perto de Nazran, principal cidade da Inguchétia.

"O corpo apresentava marcas de ferimentos na cabeça e no peito", informou a Comissão de Investigação do Ministério Público, em comunicado.

Pela manhã, Estemirova, 50 anos, foi levada à força de sua casa num carro, com destino desconhecido, informou a Memorial, citando testemunhas.

"O presidente Dmitri Medvedev se disse indignado com esta morte", apresentando seus pêsames à família da vítima, declarou sua porta-voz Natalia Timakova citada pelas agências de notícias russas.

Natalia Estemirova havia denunciado recentemente uma execução arbitrária na Chechênia, o que desagradou as autoridades locais pró-russas, declarou à AFP Alexandre Tcherkassov, da ONG Memorial.

Tratava-se da morte de um suposto rebelde por homens com roupa de camuflagem na aldeia de Akhkintchou-Borzoï no dia 7 de julho.

A ONG lembra que a atividade de Estemirova há havia despertado no passado "o descontentamento das autoridades chechenas".

"Não tenho nenhuma dúvida de que a morte dela esteja ligada à atividade profissional de Natalia que denunciava a arbitrariedade das forças da ordem de Ramzan Kadyrov", o presidente checheno pró-russo, declarou à AFP Tatiana Lokchina da Human Rights Watch.

Segundo ela, a forma com que foi sequestrada lembra os métodos usados por homens de Kadyrov.

O governo russo, no entanto, suspendeu em abril "a operação antiterrorista" que vigorou por mais de uma década na Chechênia, o que poderia simbolizar uma normalização.

O fato de o corpo da militante ter sido encontrado na Inguchétia "é uma tentativa de envolver o presidente inguche Iounous-Bek Evkourov" conhecido por dialogar com a sociedade civil e ele mesmo gravemente ferido num atentado suicida no final de junho, estima Alexeï Malachenko, analista do centro Carnegie que se disse "chocado" com o episódio.

O chefe da diplomacia francesa, Bernard Kouchner, declarou-se "horrorizado" com a morte de Natalia Estemirova exigindo que os autores deste crime sejam julgados.

A presidência sueca da UE também condenou esta morte "brutal".

Estemirova era ligada à jornalista Anna Politkovskaïa, assassinada em 2006 em Moscou; um crime jamais elucidado.

Estemirova também foi a primeira pessoa a receber, em 2007, o Prêmio Anna Politkovskaïa, entregue a militantes dos direitos humanos nas zonas de conflito. Ela também recebeu um prêmio do Parlamento sueco e a medalha Robert Schuman do Parlamento europeu.

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