Úrsula Moreno Junglewitz. Berlim, 19 out (EFE).- A conclusão a que se pode chegar diante do número de visitantes da Millionaire Fair, a primeira feira internacional para pessoas ricas realizada na Alemanha, é que, em plena crise financeira, os milionários frustrados estão gastando mais do que nunca.

"São os que estão decepcionados com seus assessores financeiros e com os bancos e viram desaparecer parte de seus fundos", por isto "estão decididos a gastar agora mais do que nunca", explica à Agência Efe um dos diretores da feira, Klaas Simon Obma.

O evento, que acontece de 16 a 19 de outubro e pela primeira vez em Munique, no sul da Alemanha, não teme por um baixo número de visitantes, que devem chegar a 20 mil até o fechamento, e também não sofreu cancelamentos de expositores. Mas o contrário.

Em outras palavras, apesar da crise, em nenhum momento se pensou em suspender este "salão do luxo", como o define o próprio Obma, no qual se oferecem desde iates, passando por travesseiros com diamantes, até charutos envoltos em ouro que custam em média 500 euros.

Este espetáculo para aqueles que não têm que se preocupar com as contas a serem pagas no fim do mês já celebra sua 16ª edição.

Fundada pelo holandês Yves Gijrath, a primeira "Millionaire Fair" aconteceu em 2002, como uma "porta para o luxo" - segundo seu site - que convida a uma "descoberta a um mundo de prazer absoluto" e de "glamour sem igual".

Gijrath, editor de três revistas de luxo, entre elas a "Miljonair Guide", descobriu a fórmula do sucesso que não demorou a exportar para Moscou, que já abrigou várias edições da feira, que da última vez atraiu cerca de 50 mil visitantes que desembolsaram nada menos do que 500 milhões de euros.

Este ano, Gijrath e companhia tentaram a sorte em Amsterdã, Xangai e Moscou. Agora é a vez de Munique, antes de passagens por Istambul, Nova Délhi e Dubai.

Em 16 mil metros quadrados são encontrados os últimos modelos de Lamborghinis, Ferraris de até 165 mil euros, casas de caviar e champanhe, clínicas dentais, empresas de aluguel de carros, cadeias de hotel, galerias de arte, mas nenhum banco.

Será casualidade? Seja como for, os que comparecerem podem respirar tranqüilos. Nesta ocasião "não há empresas que oferecem produtos financeiros", ressalta Obma, a não ser o Commerzbank, que é "um dos patrocinadores da feira", explica.

A Alemanha é o cenário perfeito para uma feira deste tipo, se for considerado que só em Munique, capital da região mais rica do país, residem mais de 500 milionários.

A "Millionaire Fair" é o lugar ideal para encontrar o mordomo perfeito, ou o serviço de massagens mais sofisticado, para não falar do conjunto capaz de despertar inveja. Lá está disponível tudo o que se pode desejar e comprar sob a maior discrição possível.

O lema extra-oficial da feira neste momento, em que parece que o dinheiro não tem garantia nos bancos nem na bolsa, é que é melhor gastá-lo em um automóvel ou em algo "que se possa desfrutar durante os próximos dez anos" do que aplicá-lo em novas operações financeiras.

Pretendemos "vender dois iates", diz Obma que, no entanto, confessa que os expositores mantêm absoluto segredo em torno do volume de negócios que estes tipos de salões movimentam.

Nem nomes nem preços são revelados aqui. "Esta feira é a antítese da especulação" e tudo o que ofertam "é tangível", acrescenta.

Neste domingo, além dos milionários, os cidadãos de outras classes sociais também poderão visitar a feira. É o que chamam de "dia da família". No entanto, sonhar custa 39 euros, o preço da entrada. EFE umj/ab/fal

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