Washington, 13 dez (EFE).- Uma longa lista de entidades e indivíduos, de famílias ricas americanas e fundos de investimento reconheceu hoje à imprensa que perdeu bilhões de dólares em golpes atribuídos a Bernard Madoff, ex-presidente da Nasdaq e preso na quinta-feira acusado de uma fraude de US$ 50 bilhões.

Entre as vítimas estão membros dos clubes de golfe mais exclusivos dos Estados Unidos, como Fred Wilpon, o dono majoritário da equipe de beisebol New York Mets, e Norman Braman, ex-proprietário do time de futebol americano Philadelphia Eagles.

Segundo a acusação, Madoff usou sua reputação como ex-presidente do mercado da Nasdaq e como filantropo para levantar uma gigantesca pirâmide financeira.

O acusado, de acordo com a investigação, oferecia rentabilidades razoavelmente altas, em torno de 10%, em épocas de altas do mercado, mas também durante as quedas da bolsa e pagava os investidores com os recursos que iam sendo investidos por outras vítimas.

Hoje na página de internet da empresa que ele fundou em 1960, Bernard L. Madoff Investment Securities, aparece uma mensagem sobre fundo negro que informa que o juiz Louis Stanton nomeou um escritório de advogados para tramitar os ativos da companhia.

O magistrado congelou os bens de Madoff. No dia anterior a sua detenção, ele disse a seus colaboradores mais estreitos que nos cofres da empresa ficavam entre US$ 200 milhões e US$ 300 milhões, segundo o Departamento de Justiça.

Um investidor já interpôs a primeira das ações legais contra ele para tentar recuperar o que for possível.

Irwin Kellner afirmou ter perdido US$ 3 milhões de dólares em um processo que apresentou ontem e ao qual podem se somar outros investidores, pois está estruturado como uma ação coletiva.

Madoff, segundo a acusação, roubou grande número de famílias proeminentes de Nova York e Flórida, especialmente judias.

Além disso, enganou até entidades financeiras que dispunham de sistemas sofisticados de controle de seus investimentos. A Fairfield Greenwich Group disse que tinha colocado US$ 7,5 bilhões nos fundos de Madoff.

Segundo o jornal "The Wall Street Journal", também perderam dinheiro o banco francês BNP Paribas, o japonês Nomura e o suíço Neue Privat Bank.

Acorn Partners e Aksia, que assessoram a investidores endinheirados, recomendaram a seus clientes não investir nos produtos de Madoff.

Nos Estados Unidos acusaram o golpe especialmente organizações sem fins lucrativos da comunidade judaica, na qual Madoff era um personagem principal.

A Fundação Robert I. Lappin, que estimula a manutenção da identidade judaica entre os jovens, se viu obrigada a fechar, porque tinha confiado seus recursos a Madoff, segundo informa em sua página de internet.

Por sua parte, o Sistema de Saúde Judeu de North-Shore, em Long-Island, que opera 15 hospitais, revelou que perdeu US$ 5 milhões, e a Fundação Julian J. Levitt, outros US$ 6 milhões.

Madoff, de 70 anos, está em liberdade condicional após pagar uma fiança de US$ 10 milhões. As acusações contra ele acarretam uma pena máxima de 20 anos em prisão e uma multa de US$ 5 milhões. EFE cma/jp

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