Milionário Martinelli vence eleição presidencial no Panamá

Por Mica Rosenberg e Sean Mattson CIDADE DO PANAMÁ (Reuters) - O empresário do setor de supermercados Ricardo Martinelli venceu a eleição presidencial do Panamá no domingo, contrariando a tendência de vitórias de líderes voltados para a esquerda na América Latina.

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A experiência empresarial do candidato conservador de oposição conquistou os eleitores que estão preocupados com seu sustento em meio à crise econômica global que afetou o recente crescimento do Panamá.

O tribunal eleitoral declarou Martinelli vencedor quando a apuração mostrou uma vantagem inalcançável de 61 por cento dos votos, ante 37 por cento de Balbina Herrera, do partido da situação de centro-esquerda Partido Revolucionário Democrático (PRD).

O governo não conseguiu combater o crime e os preços altos, e Martinelli conquistou a vitória com apoio dos eleitores mais pobres.

"Não podemos continuar a ter um país onde 40 por cento dos panamenhos são pobres", disse ele em seu discurso da vitória.

Martinelli sucederá em julho o moderado Martín Torrijos, sob cujo governo o país alcançou taxas de crescimento de até dois dígitos, apoiado principalmente na exploração do Canal do Panamá.

A crise financeira, no entanto, fará com que o Panamá cresça apenas cerca de 3 por cento este ano, segundo analistas, por conta do esfriamento do comércio mundial e também por uma menor demanda do setor de construção, outrora pujante.

O país, que usa o dólar como moeda, sofreu no ano passado a inflação mais alta desde o início da década de 1980.

"A cada 15 dias que eu vou ao mercado o preço da comida está mais caro. Você não consegue mais comprar carne", disse Oreida Sánchez, professora de 36 anos, após votar em Martinelli no bairro de Calidonia, na capital.

Martinelli, um filho de imigrantes italianos de 57 anos educado nos Estados Unidos, prometeu aumentar o gasto público construindo um trem subterrâneo na Cidade do Panamá e apoiando a habitação popular para estimular a construção civil.

O empresário disse ainda que pretende criar um imposto único, com alíquota de 10 a 20 por cento, para atrair investidores estrangeiros que demandam um sistema fiscal mais claro.

Líderes de esquerda como o venezuelano Hugo Chávez avançaram na América Latina nos últimos anos, mas o Panamá tem uma ligação próxima com os Estados Unidos, que construíram o Canal do Panamá e derrubaram o general ditador Manuel Noriega em 1989.

(Reportagem adicional de Elida Moreno)

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