Milionário apoiado pelo Hezbollah é designado premiê do Líbano

Grupo Movimento Futuro, da oposição, declarou nesta terça-feira "dia de cólera" e convocou protestos em todo o país

iG São Paulo |

O multimilionário Najib Mikati, apoiado pelo bloco do poderoso Hezbollah xiita, foi designado nesta terça-feira primeiro-ministro libanês em virtude de um decreto presidencial, nomeação questionada pelo campo de seu antecessor Saad Hariri.

Najik Mikati informou que na próxima quinta-feira começará suas consultas para formar o Governo. Mikati fez o anúncio em uma breve entrevista coletiva após reunir-se com o presidente Michel Suleiman, que desde segunda-feira realizava consultas políticas para buscar um sucessor de Saad Hariri na chefia de Governo.

Reuters
Najib Mikati, o candidato vencedor multimilionário apoiado pelo Hezbollah

Revolta

As consultas políticas realizadas peleo presidente Suleiman terminaram hoje em meio a protestos contra o candidato apoiado pelas forças da oposição. Dois candidatos estavam na batalha: o primeiro-ministro em fim de mandato Saad Hariri, que tinha o maior número de deputados no Parlamento, e o multimilionário e ex-primeiro-ministro Najib Mikati, que se apresenta como independente embora seja apoiado pela oposição.

Ontem, ao final do primeiro dia de consultas, Mikati obteve o respaldo de 59 parlamentares, contra 49 de seu rival, Hariri, que antes da última crise contava com o apoio de 71 deputados, resultado das eleições de 7 de junho de 2009 que deram à oposição 57 cadeiras. No entanto, a mudança de posição do grupo parlamentar do líder druso Walid Jumblatt e de alguns deputados que obtiveram suas cadeiras por meio das listas de Hariri, incluindo o próprio Mikati, alterou o panorama político no país.

Esta situação fez com que os partidários de Hariri saíssem às ruas em todas as regiões libanesas de maioria sunita para protestar contra a influência do Hezbollah na vida política do país e pedir a Mikati que se retire.

Em comunicado divulgado nesta terça-feira, Mikati negou que seja o representante do Hezbollah, qualificou Saad Hariri como seu "irmão e amigo" e rejeitou qualquer possibilidade de retirar sua candidatura. "Estamos em um país democrático, todos sabemos que a situação é difícil e a única coisa que busco é encontrar uma solução para a crise", acrescentou.

Reuters
Oposição declarou nesta terça-feira "dia de cólera"
O grupo Movimento Futuro, liderado por Hariri, declarou nesta terça-feira "dia de cólera" e convocou protestos em todo o país, especialmente na cidade de Trípoli e no centro de Beirute, diante do túmulo de Rafik Hariri, pai do primeiro-ministro em fim de mandato que foi assassinado em um atentado no dia 14 de fevereiro de 2005.

Crise

A crise atual teve início em 12 de janeiro com a renúncia dos ministros da oposição que integravam o Governo de unidade liderado por Hariri, depois que o pedido para que o Líbano desprezasse os trabalhos de um tribunal especial apoiado pela ONU que investiga o assassinato de Rafik Hariri não foi atendido.

A morte de Hariri, pai do atual chefe de Governo e uma das principais figuras políticas do país, marcou a recente história do Líbano e segue gerando tensões porque os autores do crime não foram identificados.

Informações vazadas sobre estas investigações apontam para possibilidade de que militantes do Hezbollah tenham participado do crime, mas o grupo nega qualquer vinculação e acredita que Israel esteja por trás do assassinato.

(Com EFE)

    Leia tudo sobre: LíbanoBeirute

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG