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Washington, 15 abr (EFE).- Milícias islâmicas, principalmente a organização do clérigo xiita Moqtada al-Sadr, se tornaram a principal fonte de ajuda humanitária no Iraque, afirmou hoje um relatório do grupo Refugees International.

Em um país no qual mais de 2,7 milhões de pessoas abandonaram suas casas em busca de lugares mais seguros, a "falta de ação oportuna e adequada do Governo iraquiano e da comunidade internacional criou um vazio" no qual crescem os serviços prestados por "milícias de todas as denominações".

O grupo Refugees International, com sede em Washington, divulgou seu relatório de 28 páginas no qual afirma que "cinco anos após a invasão liderada pelos Estados Unidos, o Iraque continua sendo uma sociedade profundamente violenta e dividida".

"Os civis iraquianos precisam de ajuda urgente", acrescentou.

"Sem acesso a suas cotas diárias de comida e freqüentemente sem trabalho, vivem em condições esquálidas, esgotaram seus recursos e encontram dificuldades extremas para ter acesso aos serviços essenciais".

Segundo o relatório, com o vazio criado pela falta de ação do Governo do primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, e da "comunidade internacional", "milícias de todas as denominações estão melhorando sua base local de apoio através do fornecimento de serviços sociais nos bairros e cidades que controlam".

"O movimento xiita sadrista (do clérigo Moqtada al-Sadr) se estabeleceu como o principal fornecedor de serviços no país", acrescentou.

"Da mesma forma, outros grupos xiitas e sunitas ganham terreno e apoio com a distribuição de alimentos, óleo combustível, eletricidade, roupas e dinheiro aos civis que vivem em seus redutos".

O relatório advertiu de que estes grupos "têm agora quase um monopólio na assistência em grande escala no Iraque e também recrutam um número cada vez maior de civis para suas milícias, inclusive os iraquianos desalojados de suas casas".

Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), os EUA deram mais de US$ 480 milhões em ajuda para os iraquianos desabrigados tanto dentro quanto fora de seu país e dará mais US$ 280 ao Iraque este ano.

O Governo de Maliki deu US$ 15 milhões à Síria, onde se encontram quase 1,5 milhão de refugiados iraquianos.

O Iraque também deu US$ 2 milhões ao Líbano, onde há 30 mil refugiados iraquianos e continua negociando a entrega de US$ 8 milhões à Jordânia, que abriga entre 400 mil e 500 mil iraquianos, segundo dados do Acnur. EFE jab/wr/db

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