Milicianos Mai-Mai impedem fuga de tropas do Governo na RDC

Kinshasa, 18 nov (EFE).- Milicianos Mai-Mai entraram em confronto hoje com soldados do Governo da República Democrática do Congo (RDC) que tentavam fugir dos combates com os guerrilheiros tutsis na região de Lubero, próximo ao Lago Edouard, informou a emissora local Radio Okapi, patrocinada pela ONU.

EFE |

Os Mai-Mai bloquearam a estrada em Kirumba, a 250 quilômetros ao norte de Goma, capital da província de Kivu Norte, no leste da RDC, e querem fazer os militares retornarem à frente, em uma região onde ontem os rebeldes do Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP) ocuparam os povoados de Rwindi e Ndeko.

O comandante da milícia Patriotas da Resistência Congolesa (Pareco), general Lafontaine, confirmou que seus homens tinham lutado com os soldados, que fugiram, e deixou claro que "devem retornar a Kanyabayonga", a 90 quilômetros ao sul de Lubero e próximo às fronteiras com Uganda e Ruanda, uma posição mantida pelas tropas do Governo.

Os confrontos fizeram milhares de refugiados de localidades de Kanyabayonga e Rwindi se dirigirem para o norte, para a região de Lubero, de onde não podem retornar a suas casas por medo da violência.

O porta-voz do CNDP, Bertrand Bisimwa, disse ontem à Agência Efe que seus combatentes tinham encurralado e feito as tropas do Governo fugirem em direção às margens do Lago Edouard.

A televisão oficial anunciou hoje em Kinshasa que o presidente da EDC, Joseph Kabila, substituiu o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general Dieudonné Kayembe, pelo general Didier Etumba, após quase três meses de derrotas das tropas do Governo para os rebeldes do CNDP.

Segundo informou hoje à Efe uma fonte da Missão das Nações Unidas na República Democrática do Congo (Monuc), no encontro de domingo entre o enviado especial da ONU ao antigo Zaire, o ex-presidente nigeriano Olusegun Obasanjo, e o líder do CNDP, Laurent Nkunda, este fez oito exigências.

A primeira foi a de um diálogo direto com Kinshasa, fora da RDC e com um mediador neutro.

Nkunda também pediu a renegociação de todos os acordos assinados entre o Governo da RDC e empresas chinesas para exploração de recursos minerais, dos quais Kinshasa se aproveita e que também são extraídos ilegalmente e servem para financiar os grupos armados.

O chefe rebelde também pede a interrupção de qualquer tipo de cooperação entre as Forças Armadas congolesas e os rebeldes hutus ruandeses das Forças Democráticas pela Libertação de Ruanda (FDLR), estabelecidas no leste da RDC.

O CNDP acusa reiteradamente o Governo de Kinshasa de respaldar as FDRL, cujos membros fugiram de Ruanda após o genocídio de 1994, no qual 800 mil tutsis e hutus moderados foram assassinados em 100 dias.

Assim que os acordos forem fechados, Nkunda reivindica a integração de seus combatentes às Forças Armadas da RDC assim como um cargo militar para si mesmo, uma vez que foi chefe do Exército durante o Governo do ex-presidente congolês Laurent Kabila antes de ser afastado.

O Conselho de Segurança da ONU estuda desde ontem à noite uma proposta de resolução da França para aumentar em 3 mil o número de capacetes azuis da Monuc. Se aprovado, o contingente extra se uniria aos 17 mil efetivos desdobrados na RDC, o maior das Nações Unidas no mundo para a manutenção da paz.

As agências humanitárias da ONU, tanto o Escritório de Cooperação de Assistência Humanitária (Ocha, em inglês), quanto o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e o Programa Mundial de Alimentos (PAM) denunciaram hoje em Genebra a delicada situação na RDC.

As entidades disseram que a situação sanitária dos deslocados piora por não terem acesso a cuidados de saúde, 150 mil crianças não vão à escola, e apesar de distribuírem comida a 100 mil pessoas com a escolta dos capacetes azuis, o péssimo estado das estradas e os novos combates dificultam o trabalho humanitário.

Desde o reinício dos enfrentamentos, em agosto, mais de 250 mil pessoas foram obrigadas a se abandonarem suas casas por causa da violência em Kivu Norte.

Apenas nessa província, havia cerca de 1 milhão de deslocados antes do recomeço dos combates, e em toda a RDC, calcula-se que 5,5 milhões de pessoas tenham morrido pela violência desde 1998, o que dá média de 1,5 mil mortos por dia. EFE py/wr/jp

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