Milícia pró-governo do Irã pede processo contra líder opositor

A milícia pró-governo iraniana Basij, pediu nesta quarta-feira a abertura de uma ação judicial contra o candidato oposicionista derrotado nas eleições presidenciais do mês passado, Mir Hossein Mousavi, pela participação dele nos protestos que ocorreram no país após a divulgação dos resultados. A milícia, formada por cerca de 90 mil voluntários e com capacidade adicional de mobilizar quase um milhão de militantes islâmicos, é normalmente convocada para acabar com distúrbios por meio da força e esteve envolvida na repressão aos protestos contra a reeleição do presidente, Mahmoud Ahmadinejad.

BBC Brasil |

Em uma carta assinada pela milícia e publicada pela agência de notícias iraniana Fars, o grupo acusa Mousavi de cumplicidade na ameaça à segurança nacional e propaganda contra o Estado.

Em uma declaração publicada no website de Mousavi, o oposicionista disse que considera ilegítimo o novo governo de Ahmadinejad. Ele pede ainda a libertação de manifestantes detidos durante os protestos no país.

União Europeia
O Irã continua a acusar a União Europeia de participação na violência do país.

Nesta quarta-feira, um dos líderes mais importantes do Exército do país, o general Hassan Firouzabadi, acusou o bloco europeu de interferir nos protestos e demonstrar hostilidade contra o povo iraniano.

Ele condicionou a participação da UE na negociação sobre o programa nuclear do país ao pedido de desculpas do bloco pela suposta participação nos protestos contra a reeleição de Ahmadinejad.

Segundo ele, enquanto a UE não se desculpar por esse "erro enorme", o bloco está desqualificado das negociações.

O bloco europeu ainda não comentou as declarações do general. Anteriormente, o primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeldt, cujo país assumiu a Presidência rotativa da UE, havia pedido que as autoridades evitassem o conflito com a comunidade internacional.

Programa nuclear
O Irã afirma que está enriquecendo urânio para uso em usinas de energia, mas alguns países suspeitam que o plano de Teerã seja construir armas nucleares.

Três países da União Europeia â¿ Grã-Bretanha, França e Alemanha â¿ lideraram as negociações sobre o programa nuclear iraniano ao lado dos Estados Unidos, Rússia e China.

Na última rodada, esses países ofereceram um pacote de incentivos caso Teerã decidisse interromper as atividades nucleares.

O governo iraniano, no entanto, insiste que o país não está disposto a negociar o enriquecimento de urânio.

Em meio à crise política no país, o presidente reeleito do Irã cancelou sua viagem à Líbia, onde participaria da Cúpula da União Africana, ao lado de líderes como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ahmadinejad não disse porque tomou a decisão de não participar do evento.

A visita do presidente seria a primeira aparição pública importante fora do país desde a sua reeleição.

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