Miliband rejeita divulgar informação sobre tortura em Guantánamo

Londres, 5 fev (EFE).- O ministro de Assuntos Exteriores britânico, David Miliband, defendeu hoje a decisão de não divulgar uma informação confidencial americana sobre um caso de tortura a um dos detidos na base naval de Guantánamo, Cuba.

EFE |

Em declaração parlamentar, Miliband falou sobre a polêmica surgida no Reino Unido depois que dois juízes britânicos revelaram na quarta-feira que os Estados Unidos ameaçaram reconsiderar a cooperação em matéria antiterrorista com o Reino Unido se o material sobre o suposto terrorista viesse a público.

A polêmica está centrada no caso do etíope Benyam Mohammed, ex-residente no Reino Unido e detido em Guantánamo, onde, segundo afirmou, foi torturado.

O chanceler britânico explicou na Câmara dos Comuns que a divulgação dos documentos contra a vontade das autoridades americanas poderia causar "um dano real e significativo à segurança nacional e às relações internacionais deste país".

Ele também negou que os EUA tenham ameaçado "romper" a cooperação em matéria de inteligência com o Reino Unido se os documentos fossem revelados.

Os documentos contam detalhadamente sobre o tratamento que os EUA dedicaram a Mohammed, que acusou as agências de inteligência britânicas de cumplicidade na tortura.

Os dois juízes -do Tribunal Superior da Inglaterra e Gales- disseram na quarta-feira que o material deveria permanecer em segredo, mas criticaram as autoridades dos EUA pela forma como tentaram impedir que a informação fosse divulgada.

Segundo os juízes, os advogados que representam Miliband disseram que a ameaça continua vigente sob a nova Administração do presidente Barack Obama.

Mohammed, de 31 anos, está há mais de quatro anos em Guantánamo, acusado de conspirar com a rede terrorista Al Qaeda para cometer atentados contra civis. EFE vg/db

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