Milhões de peregrinos xiitas celebraram nesta segunda-feira, sem incidentes, na cidade sagrada de Kerbala, 110 km ao sul de Bagdá, o martírio no ano 680 de Hussein, neto do profeta Maomé, anunciaram as autoridades locais.

Os peregrinos xiitas deram voltas ao redor do mausoléu do imã Hussein na cidade, com golpes no peito e aos gritos de "Hussein", ao mesmo tempo que eram ouvidos pelo sistema de som os cantos lúgubres em memória da derrota de Hussein para os omeias.

Quase 30.000 policiais e militares foram mobilizados na região e câmeras de vigilância foram instaladas na província para prevenir ataques.

Além disso, 1.500 policiais ficaram responsáveis por revistar as mulheres.

As medidas foram adotadas para evitar atentados, já que na semana anterior à peregrinação 46 pessoas morreram em quatro atentados contra fiéis xiitas.

Nesta segunda-feira, quatro peregrinos morreram e 13 ficaram feridos em Bagdá na explosão de uma bomba contra o microônibus no qual retornavam de Kerbala, informou a polícia da capital.

No domingo, uma pessoa morreu e 19 ficaram feridas em um atentado similar no mesmo bairro, que é controlado pelo movimento do clérigo radical xiita Moqtada al-Sadr.

Segundo o governador da província de Kerbala, Akil al-Jazali, 10 milhões de pessoas chegaram a pé à cidade procedentes de todas as províncias xiitas do país, assim como 150.000 estrangeiros de países árabes e do Irã.

Al-Jazali disse que em 2008 o número de peregrinos chegou a nove milhões. Todos os números são impossíveis de confirmar com fontes independentes. No Iraque, segundo dados oficiais, a comunidade xiita chega a 18 milhões de pessoas.

Com esta peregrinação, os fiéis xiitas celebram o Arabain, o 40º dia depois da Ashura, que recorda o martírio no ano 680 de Hussein, neto do profeta Maomé e filho do imã Ali.

Na ocasião, a cabeça de Hussein, decapitado por ordem do califa Yazid, e os corpos de seus companheiros de armas foram levados de Damasco para Kerbala, onde foram enterrados.

O chefe da polícia provincial de Kerbala, el general Alí Jassem, informou no fim da manhã que 75% dos peregrinos já haviam deixado a cidade.

No período de Saddam Hussein, os xiitas não tinham o direito de seguir a pé para Kerbala e a cerimônia não passava de um simples ritual.

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