Milhões de peregrinos chegam a Meca para peregrinação do Hajj

Milhões de muçulmanos começam a chegar neste sábado ao vale de Mina, perto de Meca, onde passarão por uma jornada de oração e recolhimento que marca o início da peregrinação anual ao lugar mais sagrado do islã.

AFP |

Sob um sol inclemente, os peregrinos vestiam o Irham branco, um manto sem costura que cobre todo o corpo, para percorrer a pé ou de ônibus os 10 quilômetros que separam Meca do vale de Mina.

As autoridades sauditas anunciaram oficialmente que 1,7 milhão de fiéis estrangeiros participarão este ano do Hajj, nome dado à peregrinação anual a Meca.

Segundo a imprensa local, o número total de peregrinos sauditas e de outros países pode chegar a três milhões.

Cerca de 100.000 homens irão garantir a segurança nas procissões de Mina a Meca.

Segundo a agência de notícias oficial SPA, "a multidão avançava sem problemas e de forma fluida para Mina".

A peregrinação a Meca é um dos cinco pilares do islã, que todo muçulmano deve fazer pelo menos uma vez na vida, se tiver meios e condições para tal.

O vale está lotado com as milhares de tendas brancas usadas pelos fiéis para passar a noite da véspera do ápice da peregrinação, que acontece no domingo com as orações no monte Arafat.

Dezenas de hospitais de campanha foram montados ao longo do caminho para atender os peregrinos, onde também estão sendo distribuídas provisões de água potável, indicou a SPA.

Grupos de muçulmanos recitavam "Labbayka Allhaumma Labbayk" (Respondemos a teu chamado, Deus) para afirmar sua obediência à vontade divina.

Enquanto isso, helicópteros S-92 do exército saudita sobrevoavam a área para garantir a segurança.

Pela primeira vez na história das peregrinações a Meca, as forças sauditas se colocaram à disposição para apoiar o controle da segurança do ritual, no qual normalmente são registrados vários atropelamentos, pisoteamentos e incêndios. Além disso, o objetivo é proteger os fiéis de atentados.

"O terrorismo não terminou. Ele segue adiante", alertou na sexta-feira o príncipe Nayef Ben Abdel Aziz, ministro do Interior saudita, acrescentando que "não temos nenhuma informação (sobre uma ameaça de atentado), mas precisamos estar preparados para não sermos pegos de surpresa".

No domingo, os peregrinos se dirigirão para o monte Arafat, também conhecido como monte da Misericórdia. No alto desta colina, eles permanecerão orando e implorando o perdão divino. A oração dos peregrinos no monte Arafat é considerado um símbolo da espera pelo juízo final e é o momento mais importante do ritual.

Em seguida, os fiéis voltam a Mina para sacrificar um animal, normalmente uma ovelha, em memória a Abraão, que se dispôs a sacrificar seu filho em obediência a Deus. O rito marca o início da festa de Al Adha (o sacrifício), que acontece na segunda-feira.

Os peregrinos ainda passarão mais dois dias em Mina para o rito final: a lapidação de Satã, que consiste em lançar 21 pedras contra cada uma das três estrelas que simbolizam o diabo, construídas nos últimos anos entre blocos de cimento de 25 metros de altura.

É durante o rito da lapidação que acontece a maior parte dos acidentes da peregrinação. Em 2006, 364 pessoas morreram pisoteadas; em 2004, 251. Em 1990, a assustadora cifra de 1.426.

Concluído o ritual, os fiéis seguem para a Grande Mesquita de Meca, para "uma volta de adeus" em volta da Kaaba, construção cúbica negra na qual está inscrustada a Pedra Negra, relíquia sagrada dos muçulmanos.

ham/ap

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