Milhões de órfãos sofrem em um Iraque arrasado pelas guerras

Bagdá- As guerras e conflitos armados que desde a década de 80 arrasam o Iraque deixaram cerca de 2,5 milhões de órfãos, cujas necessidades o Estado é incapaz de cobrir.

EFE |

Estes são alguns dos dados extraídos da primeira conferência realizada no Iraque para analisar este problema, organizado recentemente em Bagdá pela Organização Iraquiana de Proteção de Órfãos.

Associações do Centro de Estatística do Ministério do Planejamento iraquiano advertiram que é preciso ainda acrescentar o número de viúvas no país, que em 2007 chegava a 899.707.

Já o Crescente Vermelho alerta que entre um e três milhões de mulheres iraquianas perderam seus maridos e agora precisam cuidar sozinhas de suas famílias.

Somente na província de Diyala, os atos violentos que começaram - da mesma forma que em todo o país - após a invasão e ocupação americana, em março de 2003, deixaram aproximadamente 15 mil viúvas e um número similar de órfãos com menos de 15 anos, segundo números oficiais.

Estas crianças não têm "apenas" de enfrentar o trauma de ter perdido seus pais, mas devem enfrentam as dificuldades de sobreviver.

Uma situação que, em parte, compartilham com os filhos das viúvas, que em sua maioria são donas de casa com grandes dificuldades para abrir caminho em uma sociedade predominantemente machista.

A iraquiana Um Khalil, que perdeu seu marido há um ano e meio em um atentado, assegura que "não existe ajuda verdadeira por parte do governo para os castigados pela violência".

Mãe de quatro filhos com menos de oito anos, Um Khalil assinalou que as organizações femininas a visitam apenas para fazer propaganda, e que a assistência que recebem é muito menor que a divulgada em comunicados oficiais.

No entanto, confessa: "de qualquer maneira, é melhor que não receber nada".

A história de Um Shahed não é muito diferente. Mãe de sete filhos e viúva há dois anos, quando seu marido foi morto, assegura que a ajuda estatal não é suficiente para alimentar toda a sua família.

As carências a obrigaram a tirar seus dois filhos mais velhos do colégio para que ajudem a conseguir dinheiro.

O porta-voz do governo iraquiano, Ali al-Dabbagh, advertiu durante a conferência que o excessivo número de órfãos "supera os recursos do Estado e das organizações de caridade para atender às necessidades desses menores".

Para Dabbagh, é imprescindível conscientizar a população e os organismos, promover o interesse, e propor iniciativas e soluções para enfrentar o problema.

Nesse sentido, pediu às organizações envolvidas e ao governo que colaborem para impulsionar a aprovação de leis e a obtenção de fundos para apoiar os órfãos.

O Ministério de Estado para Assuntos da Mulher advertiu que a situação social piorou devido ao elevado número de órfãos deixados pelos conflitos e os ataques terroristas.

Apesar de os números oficiais assinalarem que a violência alcançou seus números mais baixos desde o começo da invasão, estudos mostram que, mesmo quando o som dos tiros deixa de ouvido, muitas das feridas necessitarão ainda de muitos anos para cicatrizar.

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