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Milhões de birmaneses aguardam ajuda internacional

Milhões de vítimas do devastador ciclone Nargis aguardam deseperadamente a chegada a Mianmar da ajuda internacional, que continua bloqueada pela falta de concessão de vistos por parte da junta militar que governa o país.

AFP |

O balanço oficial provisório da catástrofe que devastou o sul de Mianmar no fim de semana passado chega a 22.000 mortos e 41.000 desaparecidos.

Segundo a Federação Internacional da Cruz Vermelha, este número já basta para transformar o Nargis no ciclone mais fatal no planeta desde 1991.

De acordo com a ONG Save The Children, muito ativa em Mianmar, 40% das vítimas são menores de idade.

"É uma corrida contra o tempo e agora nossa prioridade são os que ficaram", disse Andrew Kirkwood, diretor da Save The Children em Mianmar.

"Precisamos de forma urgente de ajuda para localizar as crianças e as famílias sobreventes".

"Cerca de 40% das pessoas que vivem na área do delta são menores de 18 anos e tememos que 40% dos mortos e desaparecidos sejam crianças", completou.

O alcance total dos danos ainda é impossível de calcular. As poucas ONGs presentes no país, que mencionam milhões de pessoas desabrigadas, temem que o número de mortos se agrave consideravelmente.

Ao mesmo tempo cresce a frustração entre os membros das organizações humanitárias que continuam à espera de vistos para poder ajudar a população.

Os militares birmaneses, que exercem o poder com mão-de-ferro desde 1962, aceitaram na terça-feira o princípio de uma ajuda humanitária, em um gesto pouco comum em um dos países mais isolados do mundo.

Porém, o regime birmanês explicou que os voluntários estrangeiros terão que negociar com as autoridades para poder entrar no país.

Cinco dias depois da passagem do ciclone, nenhum visto novo foi outorgado, afirmou nesta quarta-feira o porta-voz da ONU em Bangcoc, Richard Horsey. No entanto, ele afirmou esperar que a nomeação de um ministro birmanês responsável por examinar os pedidos e coordenar a ajuda internacional permita o avanço do procedimento.

Em Genebra, a Agência de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU anunciou que a junta autorizou o desembarque de um avião com material de ajuda humanitária.

A situação, urgente, se vê agravada pelo temor da propagação de doenças, segundo as autoridades do setor de saúde. A população da região de Yangun, a maior cidade do país, e sobretudo do delta do rio Irrawaddy (sudoeste) precisa de água potável e refúgio.

"Uma equipe viu milhares de mortos em uma cidade, com corpos em descomposição amontoados após a retirada das águas", declarou à AFP Andrew Kirkwood.

"Há 41.000 pessoas desaparecidas, mas muitos acreditam que maioria destas 41.000 pessoas estão mortas. Evidentemente, há milhões de pessoas sem casa, mas quantos milhões não sabemos", acrescentou.

No sudoeste do país, um repórter da AFP presenciou a chegada de dezenas de milhares de sobreviventes à cidade de Labutta, depois que atravessaram áreas inundadas repletas de cadáveres de pessoas e animais.

No momento, os moradores, com a ajuda de monges budistas, são os que tentam limpar as ruas e as estradas, com árvores caídas, pedaços de telhados e cabos elétricos. Testemunhas entrevistadas pela AFP em Yangun afirmaram ter visto poucos oficiais nos trabalhos de emergência.

A Liga Nacional pela Democracia (LND), o partido da opositora e prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, lamentou na terça-feira a ausência de ajuda eficaz por parte das autoridades.

A LND também criticou a manutenção para sábado de um referendo sobre uma nova Constituição, que será adiado para 24 de maio apenas nos 47 municípios mais afetados pelo ciclone.

A Federação Internacional da Cruz Vermelha lançou um apelo urgente de ajuda para as vítimas do ciclone, com o pedido de 6,29 milhões de francos suíços (pouco mais de seis milhões de dólares) para financiar a compra de material de emergência.

O dinheiro será usado para fornecer aos desabrigados refúgios de emergência, água, mosquiteiros e outros artigos de primeira necessidade.

burs-aud/fp

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