Milhares se despedem de Zelaya em Honduras

Milhares de pessoas se reuniram na tarde desta quarta-feira nas imediações do aeroporto internacional de Toncontín, em Tegucigalpa, para se despedir do ex-presidente de Honduras, Manuel Zelaya, que deixou o país depois de ter ficado mais de quatro meses abrigado na embaixada brasileira na capital hondurenha. Zelaya deixou o prédio da representação brasileira por volta de 15h (horário local, 19h em Brasília) e seguiu em um comboio até o aeroporto, partindo para a República Dominicana, onde desembarcou no começo da noite.

BBC Brasil |

Uma multidão já o aguardava nas proximidades da base aérea, carregando cartazes e bandeiras e gritando palavras de apoio.

Nos muros da região, foram pichados dizeres pregando a volta do ex-presidente.

Em alguns locais, também havia inscrições com os dizeres 'I love Brazil'('Eu amo o Brasil', em inglês), em uma referência ao fato de o país ter abrigado Zelaya em sua embaixada.

A própria reportagem da BBC Brasil, que estava com uma credencial de imprensa que trazia um desenho da bandeira brasileira, foi cumprimentada por partidários de Zelaya algumas vezes.

Agradecimento
A saída de Zelaya só foi possível devido a um salvo-conduto concedido pelo novo presidente de Honduras, Porfírio Lobo, que tomou posse nesta quarta-feira.

De acordo com o encarregado de negócios da embaixada brasileira, Francisco Catunda, o próprio Lobo, acompanhado do presidente dominicano, Leonel Fernandéz, foi até a embaixada para seguir com Zelaya até o aeroporto.

Ainda segundo Catunda, os três trocaram palavras de cortesia e embarcaram juntos no mesmo veículo. Antes de partir, Zelaya entregou ao diplomata uma carta de agradecimento ao presidente Lula e ao chanceler Celso Amorim.

Ainda no aeroporto de Tegucigalpa, Zelaya deu uma declaração à rádio hondurenha Globo, e disse apenas uma palavra: "Voltaremos".

Anistia
A embaixada brasileira em Tegucigalpa deve retomar seu funcionamento normal na próxima segunda-feira, após passar 128 dias cercada por militares hondurenhos.

Zelaya também foi um dos beneficiados por uma lei de anistia aprovada pelo Congresso na noite da última terça-feira.

A nova legislação perdoa todos os crimes políticos cometidos por Zelaya e seus simpatizantes ou membros do governo interino de Roberto Micheletti, que assumiu o cargo após a deposição de Zelaya.

Mas a lei não anistia crimes de corrupção, dos quais Zelaya também é acusado.

Divisão
O novo presidente de Honduras, Porfirio Lobo, tomou posse na manhã desta quarta-feira com o desafio de governar um pais dividido.

"Juro ser leal à República e assegurar que suas leis sejam cumpridas", disse Lobo, de 62 anos, durante a cerimônia de posse.

Lobo recebeu a faixa presidencial das mãos do presidente do Congresso Nacional, Juan Orlando Hernandez, que disse que o novo líder foi o presidente que recebeu o maior número de votos da história de Honduras.

Roberto Micheletti, que assumiu o poder em junho após a deposição do líder eleito Manuel Zelaya, não compareceu à cerimônia.

Embora a posse do novo presidente e a saída de Zelaya do país tenham ocorrido sem maiores incidentes, Honduras continua um país profundamente dividido politicamente.

Parte da chamada 'resistência'- formada majoritariamente por partidários de Zelaya - resiste em aceitar o governo de Porfírio Lobo, que foi eleito no último dia 29 de novembro em um pleito que também não é reconhecido pelo Brasil.

Muitos pregam a volta de Zelaya, que foi deposto da Presidência de Honduras depois de tentar convocar um referendo para tentar aprovar uma reforma constitucional que permitisse a reeleição.

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