Milhares rezam em Istambul por vítimas de ataque

Cerca de 15 mil pessoas velaram os corpos das vítimas de ataques de Israel contra uma flotilha de ajuda aos palestinos de Gaza

iG São Paulo |

Milhares de pessoas se reuniram nesta quinta-feira em Istambul para rezar pelas vítimas do ataque israelense à flotilha de ajuda humanitária a Gaza, gritando palavras de apoio ao Hamas e de condenação a Israel.

"Abaixo Israel! Israel é o anjo da morte!", gritava a multidão reunida diante da mesquita Fatih, agitando bandeiras turcas e palestinas. "Somos os soldados do Hamas!", movimento islamita palestino que controla a Faixa de Gaza, gritavam. De acordo com o canal de televisão NTV, entre 15 mil e 20 mil pessoas estavam reunidas.

Oito turcos e um americano de origem turca morreram na segunda-feira no ataque dos comandos israelenses ao Mavi Marmara, o maior barco de uma flotilha de ajuda aos palestinos de Gaza. Todas estas vítimas foram mortas a tiros, segundo os médicos legistas citados pela agência Antólia.

Os caixões de oito vítimas estavam alinhados diante dos fiéis, cobertos por bandeiras palestinas e turcas, enquanto alguns imãs conduziam as orações. Uma das vítimas deverá ser enterrada em Istambul durante o dia e as outras em suas cidades natais. Outra cerimônia para a nona vítima está prevista para sexta-feira.

Chegada a Istambul

Cerca de 450 ativistas detidos por Israel na frota de ajuda humanitária a caminho de Gaza - entre eles a cineasta brasileira Iara Lee - chegaram à Istambul, na Turquia, nesta -feira de madrugada, onde foram recebidos como heróis por uma multidão liderada pelo vice-primeiro-ministro turco, Bulent Arinc. Os ativistas viajaram em aviões fretados pelo governo turco.

Ao chegar, os ativistas deram relatos de que foram tratados com violência pelos soldados israelenses que abordaram as seis embarcações da frota. Um outro avião chegou à Grécia nesta quinta-feira de madrugada levando cerca de 30 ativistas libertados.

Na chegada ao aeroporto, o vice-premiê Arinc fez um inflamado discurso, no qual acusou Israel de "pirataria" e disse que seu governo saúda a organização islâmica turca IHH, que ajudou a planejar o envio de ajuda para Gaza - grupo que Israel acusa de terrorismo. Alguns dos ativistas libertados disseram que tentaram se defender dos soldados israelenses, que estavam fortemente armados.

Em entrevista à BBC Brasil, a cineasta brasileira Iara Lee disse que "os soldados entraram atirando nas pessoas" . "A gente esperava tiros de advertência para o alto, nos pés, mas eles atiraram de verdade".

Segundo ela, a organização contabiliza pelo menos 19 mortos na ação, e ainda haveria alguns ativistas desaparecidos. Também há sete ativistas feridos em estado grave que permanecem internados em hospitais de Tel Aviv. "Havia crianças de um ano em nosso barco", diz ela, que estava no Mavi Marmara, o principal barco de passageiros que transportava centenas de ativistas e onde ocorreram as mortes.

"Pusemos pessoas famosas a bordo, como o escritor sueco Henning Mankell, dois parlamentares alemães, acreditando que isso nos daria alguma proteção, mas eles (os soldados) nem ligaram", afirmou a brasileira.

Relação da Turquia com Israel

O presidente turco Abdullah Gül, declarou nesta quinta-feira que "as relações entre Turquia e Israel nunca mais serão as mesmas", após essa intervenção do Exército israelense em alto mar. A Turquia, que nos últimos anos mantinha estreitas relações com Israel, convocou seu embaixador em Tel Aviv.

Israel, que enfrenta uma avalanche de acusações, rejeitou nesta quinta-feira uma resolução do Conselho de Direitos Humanos da ONU que aprovou a realização de uma investigação internacional a respeito do ataque.

Já o enviado americano ao Oriente Médio, George Mitchell, pediu nesta quinta-feira para que a comunidade internacional não deixe que a "tragédia" da flotilha humanitária aniquile os "progressos limitados, mas reais", das negociações de paz entre Israel e a Autoridade Palestina, que governa a Cisjordânia.

* Com AFP e BBC Brasil

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