Milhares protestam no Oriente Médio contra ofensiva israelense em Gaza

Dezenas de milhares de pessoas se manifestaram nesta sexta-feira no Oriente Médio para protestar contra duas semanas de ofensiva israelense na Faixa de Gaza, denunciando a cumplicidade e a covardia dos governantes árabes.

AFP |

O maior protesto aconteceu na Alexandria, norte do Egito, onde pelo menos 50.000 pessoas se reuniram depois das orações de sexta-feira, segundo uma fonte policial local.

Os manifestantes foram liderados por deputados filiados aos Irmãos Muçulmanos, principal movimento de oposição do país, do qual saíram os fundadores do grupo radical islâmico Hamas, que controla Gaza.

Os parlamentares denunciaram "a cumplicidade" dos governos árabes em relação ao bloqueio imposto a Gaza por Israel, em represália à tomada do poder pelo Hamas, em junho de 2007.

"Gaza, nos perdoe, nós não podemos abrir Rafah", gritavam, referindo-se à passagem de Rafah, na fronteira entre Egito e Gaza, que o governo egípcio se nega a abrir, alegando não haver representantes da Autoridade Palestina no local.

Diante da suspeita de que estavam dispostos a participar dos protestos, 35 Irmãos Muçulmanos foram presos no Cairo e no interior do país.

Israel decidiu dar continuidade a suas operações nesta sexta-feira, apesar de um apelo do Conselho de Segurança da ONU por um cessar-fogo imediato. Pelo menos 785 palestinos já morreram desde o início da ofensiva israelense, no dia 27 de dezembro, em resposta aos milhares de foguetes lançados por militantes do Hamas em Gaza contra seu território.

Em Amã, na Jordânia, um manifestante espanhol ficou ferido e outras cinco pessoas foram presas quando a polícia impediu que mais de 2.000 manifestantes se dirigissem à Embaixada de Israel.

Várias crianças levavam um cartaz, com os dizeres: "Parem de matar nossos amiguinhos". Mais de 220 menores de 16 anos morreram nos ataques israelenses, segundo fontes médicas palestinas.

Enquanto isso, os manifestantes gritavam: "Nenhuma Embaixada israelense em território árabe" e "os dirigentes árabes são covardes". A Jordânia, que abriga uma grande população palestina, assinou um acordo de paz com Isrel em 1994.

Na Cisjordânia, simpatizantes dos partidos rivais Fatah e Hamas se enfrentaram durante uma manifestação em Ramalah.

Milhares de palestinos participaram de duas marchas diferentes, uma convocada pelo Hamas e outra organizada por grupos nacionalistas, principalmente a Fatah, do presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, rival do Hamas.

As forças da ordem palestinas detiveram manifestantes partidários do Hamas.

Em Hebron, no sul, cerca de 3.000 palestinos se manifestaram em resposta à convocação do Hamas, lançando pedras contra os soldados israelenses, que reagiram diaparando balas de borracha.

Em Nabuls, no norte, milhares de manifestantes saíram às ruas pedindo "Morte a Israel" e pedindo a união dos palestinos.

Em Jerusalém, enfrentamentos foram registrados entre jovens palestinos e policiais.

No Kweit, cerca de 3.000 pessoas protestaram contra a participação, segundo eles, de alguns países árabes no bloqueio à Faixa de Gaza.

Em Bagdá, mais de 2.000 seguidores do líder radical xiita iraquiano Moqtada al Sadr se manifestaram na Cidade de Sadr contra Israel e os Estados Unidos, que acreditam ser um "sócio do regime sionista".

Na Europa, mais de 2.000 pessoas se reuniram em Atenas e Tessalônica, respondendo a uma convocação da juventude do Partido Comunista Grego (KKE) e da Frente Sindical do Partido Comunista Grego (PAME).

Em Plovdiv, no centro da Bulgária, centenas de muçulmanos búlgaros organizaram uma manifestação, segundo a rádio nacional.

Na cidade de Chaman, sudoeste do Paquistão, perto da fronteira com o Afeganistão, manifestantes protestaram contra a presença israelense na Faixa de Gaza, enquanto declaravam seu apoio a Osama bin Laden, líder da rede Al Qaeda, segundo fontes policiais.

bur-vl/ap

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