Milhares protestam contra vitória de Putin em eleição suspeita de fraudes

Forças de segurança prendem manifestantes em Moscou e em São Petersburgo; observadores internacionais denunciam irregularidades

iG São Paulo |

Milhares de pessoas saíram às ruas da capital Moscou nesta segunda-feira para protestar contra a vitória de Putin , que venceu com 63% dos votos, em um processo eleitoral marcado por acusações de fraude .

Os opositores de Putin gritavam frases e palavras de ordem como: "Vergonha!" e "Rússia sem Putin!". A concentração ocorreu na Praça Pushkin, um dos locais mais icônicos da cidade, e cerca de 12 mil policiais e soldados foram escalados para cuidar da segurança, de acordo com a imprensa do país.

Suspeita de fraude: Observadores internacionais denunciam irregularidades em eleição

"Nós teremos uma nova eleição", disse Yevgeny Natarov, morador de Moscou de 39 anos que se juntou à manifestação opositora.

Sergei Udaltsov, um dos organizadores do protesto, pediu aos manifestantes que permanecessem na praça até que Putin recusasse o resultado. "Se foi um eleição livre, por que eles têm de encher a cidade com tantos soldados?", perguntou Udaltsov à multidão. "Eles nos temem!".

A polícia russa deteve um suspeito de planejar um ataque a bomba durante manifestações em Moscou na segunda-feira e na terça-feira. Autoridades alertaram os manifestantes de que eles enfrentariam acusações criminais por causa dos protestos. Forças de segurança detiveram o líder do banido Partido Bolvechique, Eduard Limonov, e outros partidários, que iniciavam um protesto perto da agência de segurança e inteligência russa (FSB, na sigla em russo).

De acordo com a polícia, 250 pessoas foram detidas em meio a protestos. As prisões ocorreram depois de uma manifestação que, segundo a Associated Press, reuniu cerca de 20 mil opositores que contestavam o resultado da eleição de domingo.

Em São Petersburgo, a segunda maior cidade do país, cerca de 100 manifestantes foram presos. Eles faziam parte de um protesto sem autorização, do qual participavam 2 mil pessoas.

Uma organização internacional denunciou “problemas sérios” na eleição presidencial da Rússia , realizada no domingo e vencida pelo primeiro-ministro Vladimir Putin . De acordo com a Organização de Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), a votação foi “claramente enviesada” a favor do premiê.

“Não houve competição e os abusos de recursos do governo fez com que nunca houvesse dúvida sobre quem ia vencer”, afirmou Tonino Picula, chefe da missão observadora da OSCE, formada por 250 pessoas e fruto de uma parceria com o Conselho Europeu.

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Em um comunicado que resume brevemente as observações da missão, Picula disse que “o processo eleitoral se deteriorou no momento da apuração e evoluiu de forma negativa em pelo menos um terço das seções eleitorais”. Ele não mencionou denúncias feitas anteriormente por observadores independentes russos, como a de que alguns eleitores votaram mais de uma vez.

AP
Em Moscou, homem tira foto de tela de televisão que mostra vitória de Putin na eleição presidencial

A Comissão Eleitoral Central (CEC) disse que Putin obteve mais de 63% dos votos, mas os observadores independentes russos, reunidos num grupo chamado Golos, afirmaram que o premiê ficou perto da marca de 50% dos votos – necessária para conseguir a vitória no primeiro turno.

Medida

Em uma medida que parece ter o objetivo de acalmar a oposição, Medvedev ordenou nesta segunda-feira que o Ministério da Justiça apresente uma explicação sobre o motivo de ter rejeitado, no ano passado, o registro do Partido para a Liberdade das Pessoas, uma organização liderada por algumas dos mais proeminentes opositores do governo.

Medvedev também ordenou que o procurador-geral russo revise a legalidade da condenação do ex-magnata do petróleo Mikhail Khodorkovsky e mais de 30 outros presos que, segundo a oposição, foram condenados por questões políticas.

A eleição de domingo marcou um dos piores resultados eleitorais de Putin em Moscou. Com 86% dos votos apurados, ele tinha 47,22% dos votos, muito menos que os 70,28% obtidos pelo atual presidente, Dmitri Medvedev, na eleição de 2008.

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O chefe de campanha de Putin, Stanislav Govorujin, disse que "os acomodados de Moscou" votam em Mikhail Prokhorov, o bilionário que se apresentou como defensor da classe média. Prokhorov ficou em segundo lugar em Moscou, com 20,21% dos votos, seguido muito de perto pelo líder dos comunistas, Gennady Ziuganov.

As republicadas do Cáucaso Norte, porém, apoiaram em peso a candidatura de Putin, que teve mais de 99% dos votos, segundo dados oficiais. "O povo checheno vive uma das páginas mais brilhantes de sua história. Por isso, considero lógico e justo que a absoluta maioria dos eleitores da república tenha votado em Vladimir Putin", disse o líder da Chechênia, Ramzan Kadyrov.

A votação ocorreu em meio a uma forte onda de protestos , indignação popular e ceticismo, provocada por acusações de que teriam ocorrido fraudes generalizadas a favor do partido de Putin, Rússia Unida, nas eleições parlamentares de dezembro.

A fim de aplacar os críticos, Putin anunciou a instalação de webcams nos 90 mil postos eleitorais do país, mas muitos na Rússia e entre a comunidade internacional questionam a eficácia da iniciativa. Em um relatório, a OSCE afirmou que ''câmeras não podem capturar todos os detalhes do processo de votação, em especial a contagem de votos''.

Com AP, AFP e EFE

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