Zine El Abidine Ben Ali anuncia que não concorrerá a novo mandato, mas manifestações continuam em Túnis

Milhares de manifestantes estão reunidos no centro de Túnis, capital de Tunísia, reivindicando que o presidente Zine El Abidine Ben Ali deixe o cargo imediatamente.

Milhares protestam em frente ao prédio do Ministério do Interior em Túnis, capital da Tunísia
AFP
Milhares protestam em frente ao prédio do Ministério do Interior em Túnis, capital da Tunísia

Na quinta-feira, Ben Ali, que governa a Tunísia desde 1987, anunciou que não buscará um novo mandato em 2014. A afirmação foi feita depois de uma onda de violentos protestos, que começaram em dezembro, terem deixado oficialmente 23 mortos. No entanto, segundo outras fontes, o número seria de 79, depois de oficiais médicos terem confirmado a morte nesta sexta-feira de mais 13 pessoas durante os protestos.

Segundo a emissora britânica BBC, entre 6 mil e 7 mil pessoas estão reunidas nesta sexta-feira em frente ao prédio do Ministério do Interior. A polícia lançou gás lacrimogêneo contra os manifestantes, depois que ele subiram ao telhado o ministério, que é um símbolo do governo. Os participantes do protesto dizem que a Tunísia não terá uma democracia enquanto Ben Ali estiver no poder.

Nas últimas três semanas, violência sem precedentes revelou um profundo descontentamento contra o  presidente, que reprimiu as liberdades civis, prendeu oponentes e impôs um forte controle sobre a mídia durante os 23 anos de governo no paraíso de turismo no Mediterrâneo, onde tumultos eram raros.

Na quinta-feira, manifestantes lançaram pedras contra ônibus elétricos e prédios do governo na capital, em desafio às crescentes duras tentativas do governo de pôr fim aos tumultos.

Durante a madrugada, a polícia abriu fogo contra pessoas que desafiaram um toque de recolher do governo em várias cidades, disseram membros da oposição. Um político oposicionista e um líder sindical disseram que ao menos quatro manifestantes foram mortos, mas a Federação Internacional de Direitos Humanos disse ter recebido confirmação de oito mortos e 50 feridos somente na grande Túnis, a capital do país.

Uma coluna de fumaça pôde ser vista a vários quilômetros da cidade. Segundo as mesmas fontes, apesar do toque de recolher decretado na região, os manifestantes atacaram três delegacias de polícia, queimaram um grande supermercado e atacaram o escritório dos correios no centro da cidade.

Com EFE, BBC e AP

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