LOS ANGELES (Reuters) - Milhares de pessoas se reuniram em Los Angeles na noite de sábado para protestar contra um referendo aprovado na eleição de 4 de novembro que proibiu o casamento de pessoas do mesmo sexo na Califórnia. Uma multidão eclética, estimada em cinco mil pessoas, percorreu vários bairros no distrito de Silver Lake, a leste de Hollywood, carregando cartazes e fazendo coro contra a Proposta 8, uma ementa constitucional que proíbe o estado de reconhecer o casamento de pessoas do mesmo sexo.

"Direitos iguais", os manifestantes entoavam, "Quando queremos? Agora!"

O referendo alterou uma decisão de maio da Suprema Corte da Califórnia, segundo a qual recusar a homossexuais o direito de se casar violaria a constituição do Estado. Os eleitores da Flórida e do Arizona se uniram à Califórnia na terça-feira ao tomar a mesma decisão.

Dezenas de estados têm leis similares. Só dois estados americanos, Massachusetts e Connecticut, permitem o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Muitos cartazes de manifestantes debochavam da igreja mórmon, que gastou milhões promovendo o referendo e ajudou a torná-lo uma das campanhas mais caras do gênero na história americana.

Outros expressavam o desespero pela comunidade gay não ter se beneficiado da eleição de Barack Obama.

"Sim, nós podemos, a menos que você seja gay", dizia um dos cartazes.

A passeata começou em Sunset Junction, outrora uma área de bares onde a comunidade gay americana pela primeira vez protestou contra a brutalidade policial no final dos anos 1960.

A ação foi um de uma série de protestos eminentemente pacíficos que aconteceram em todo o estado no sábado, e entupiu as ruas de Los Angeles todas as noites desde a aprovação do referendo.

LOCAL HISTÓRICO

"Este é um local histórico para a comunidade (lésbica-gay-bissexual-transexual)", disse Ian Thompson, porta-voz do grupo organizador, a coalizão ANSWER. "Estamos lembrando o fato de que a comunidade gay começou a se defender aqui. As pessoas realmente estão muito bravas."

Os ativistas, tanto gays quanto heteros, ouviram os discursos e marcharam cerca de 1,6 km por Silver Lake, observados pela polícia montada e vários helicópteros.

Entre os participantes estavam Robin Tyler e Diane Olson, um casal de lésbicas cujo processo levou a Suprema Corte do Estado a permitir a mais de 18 mil casais se casar durante o verão. Esses casais agora se dão conta de que sua união está em um limbo legal. A lei estadual da Califórnia reconhece a união civil entre gays e lésbicas.

Os apoiadores da proposta argumentam que o casamento gay seria ensinado em escolas se o referendo fracassasse, uma posição que os opositores da proibição rejeitam.

Tyler e Olson pediram a seu advogado que entrasse com uma ação na corte na quarta-feira questionando a iniciativa. Os grupos de direitos civis entraram com outro processo e líderes de algumas cidades californianas cogitam se unir a essas ações.

O referendo, cuja campanha recebeu um total recorde de U$70 milhões em contribuições de apoiadores e opositores, realizou um emenda na constituição estadual para acrescentar "somente o casamento entre um homem e uma mulher é válido ou reconhecido na Califórnia".

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