Milhares protestam contra cortes de gastos na Europa

Na Espanha, greve geral convocada para esta quarta-feira afeta setor industrial e transporte público

iG São Paulo |

Milhares de pessoas de toda a Europa saíram em Bruxelas, Bélgica, nesta quarta-feira, para protestar contra medidas de austeridade aprovadas por alguns governos europeus. Manifestantes também foram às ruas da Espanha, Grécia, Itália, Irlanda, Letônia, Lituânia, República Checa, Chipre, Portugal, Sérvia, Romênia, Polônia e França.

Os sindicatos da Espanha também iniciaram uma greve geral e protestos nesta quarta-feira, marchando em Madri e tentando fechar os acessos à capital espanhola. Grupos de grevistas foram vistos entrando nas lojas e bancos para tentar obrigar os funcionários a fechar os estabelecimentos.

Além de Madri, também ocorreram protestos em Barcelona. O jornalista brasileiro Luiz Casadei, que está em Barcelona, relatou ao iG um cenário de caos. "Os transportes não funcionam, os museus estão fechados e a maioria das lojas cerraram as portas", afirmou. "O lixo se espalha por toda a cidade."

A greve começou meia-noite e afeta principalmente o setor industrial. Nos polos da Catalunha e Galícia, onde funcionam a maioria de montadoras, a greve alcança quase os 100% de adesão, de acordo com as centrais sindicais Comissões Operárias e União Geral dos Trabalhadores.

Os sindicatos também estimam que a paralisação tenha afetado 70% dos serviços de transporte público e 80% dos voos nos aeroportos internacionais de Madri e Barcelona. Apenas 32% das escolas estariam funcionando normalmente.

Bélgica e Irlanda

A Confederação Europeia dos Sindicatos afirmou que cerca de 100 mil pessoas marcharam na região onde ficam os prédios oficiais da União Europeia em Bruxelas.

Enquanto os protestos ocorriam, em meio a muitos manifestantes e cartazes, a polícia isolou a sede da administração da União Europeia e fez barricadas em volta de bancos e lojas de Bruxelas. No entanto, os milhares de manifestantes continuaram avançando com apitos e cornetas em direção aos prédios oficiais.

Na Irlanda, um homem jogou uma betoneira, coberta de frases contra os bancos, contra os portões do Parlamento da capital, Dublin, em um suposto protesto contra a ajuda crescente do governo aos bancos.

A Confederação Europeia dos Sindicatos afirma que os manifestantes organizaram os protestos para expressar a insatisfação com os planos de vários governos europeus de cortes nos orçamentos que "podem levar a Europa para a recessão".

O sindicato afirma que a crise financeira, que descreve como a pior no bloco desde a década de 1930, já deixou 23 milhões de pessoas sem emprego em toda a Europa.

Os sindicalistas temem que as medidas de austeridade que estão sendo implementadas por vários governos do bloco possam "resultar em ainda mais desemprego".

Em meio ao protesto, o chefe do sindicato francês Force Ouvrière, Jean Claude Mailly, afirmou que ainda há tempo para repensar as medidas de austeridade.

"Nunca é tarde demais, pois as medidas de austeridade estão sendo estabelecidas agora", disse o sindicalista à BBC. "Então, estamos em um período de movimentos sociais de uma natureza diferente, que terão um grande peso nas próximas semanas e meses. Existe uma forte tensão social", acrescentou.

Recuperação

De acordo com o repórter da BBC em Bruxelas Christian Fraser, a recuperação da economia europeia ainda é frágil e nem mesmo começou em alguns países. Além disso, muitos temem que os cortes possam provocar mais problemas.

Muitos governos nos 27 países do bloco já impuseram cortes em salários, aposentadorias e empregos, para tentar pagar as dívidas cada vez maiores.

Na Grécia e na Irlanda os números relativos ao desemprego atingiram os níveis mais altos dos últimos dez anos. Na Espanha o desemprego dobrou nos últimos três anos.

Na Grã-Bretanha o governo planeja cortar os gastos em 25% em algumas áreas. A França, por sua vez, já foi palco de protestos violentos devido ao plano de aumentar a idade mínima para aposentadoria.

Com BBC

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