Manifestações contra medidas de austeridade ocorrem em 13 capitais europeias, entre elas Bruxelas e Madrid

Dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas de 13 capitais europeias nesta quarta-feira para protestar contra as medidas de austeridade do governo, que, segundo os sindicatos, dificultam a recuperação econômica e punem os pobres.

"A principal sensação das pessoas é que para o sistema bancário há milhões e bilhões de euros, mas que os benefícios sociais estão sendo cortados. Isso não é certo", disse Ralf Kutkowski, alemão que trabalha numa mina de carvão e participava do protesto em Bruxelas, na Bélgica.

Em Bruxelas, na Bélgica, manifestantes protestam contra medidas de austeridade do governo
AP
Em Bruxelas, na Bélgica, manifestantes protestam contra medidas de austeridade do governo

Com bandeiras e cartazes dizendo "não à austeridade" e "prioridade para os empregos e o crescimento", os manifestantes seguiram em passeata em direção à sede da União Europeia, na capital belga.

Os 50 sindicatos representados incluíam mineiros alemães, trabalhadores romenos do setor de gás e funcionários de estaleiros poloneses. A Confederação Europeia de Sindicatos disse que pretendia levar 100 mil pessoas à manifestação. Uma fonte policial afirmou à Reuters que pelo menos 50 mil estavam participando.

Espanha

A primeira greve geral em oito anos na Espanha, em protesto contra cortes nos gastos públicos, teve um impacto limitado nesta quarta-feira, embora tenha prejudicado os transportes e o funcionamento de algumas fábricas. Os sindicatos disseram que 10 milhões de pessoas, ou mais de metade da força de trabalho, aderiram à greve. O governo não citou estimativas, mas minimizou a paralisação.

Os mercados financeiros também reagiram com indiferença, pois analistas descartam a hipótese de o governo recuar nas medidas destinadas a cumprir as metas de redução de déficit público da União Europeia.

O primeiro-ministro, José Luis Rodríguez Zapatero, do Partido Socialista, apresentará na quinta-feira ao Parlamento o seu orçamento para 2011 e prometeu manter as medidas de austeridade e as reformas trabalhistas destinadas a facilitar a contratação e demissão de funcionários pelas empresas.

No centro de Madri, centenas de trabalhadores agitaram bandeiras, interditaram ruas e obrigaram algumas lojas a baixar as portas. Líderes sindicais disseram que 30 manifestantes foram detidos, mas a maioria foi solta rapidamente. Poucos ônibus circularam na capital e metade dos trens de metrô parou. Mas os sindicatos cumpriram o compromisso de manter um serviço mínimo, segundo o ministro do Trabalho, Celestino Corbacho.

No norte da Espanha, montadoras de veículos interromperam a produção. A demanda energética no país caiu 20% durante o protesto, segundo a empresa operadora do sistema.

"Vamos continuar a greve se isso for necessário para derrubar a reforma trabalhista, que ameaça tornar os empregos ainda mais vulneráveis", disse o designer gráfico Alfredo Pérez em um piquete.

Escolas e hospitais praticamente não foram afetados pela greve na Espanha. Citando a preocupação com o desemprego, que ronda os 20%, muitos espanhóis fizeram questão de ir trabalhar apesar das dificuldades no transporte público.

"O país está uma bagunça, e as finanças pessoais de todo mundo também, então acho que uma greve simplesmente piora as coisas e não é a melhor forma de avançar", disse a vendedora Arancha Fernández de Córdoba, de 35 anos.

A economia espanhola se recupera lentamente de uma grave recessão e os sindicatos estão muito mais enfraquecidos do que há 20 anos, representando apenas cerca de 16 por cento dos trabalhadores.

"A greve é uma grande encenação, é só uma forma de os sindicalistas justificarem seus salários. Os sindicatos nunca defenderam os diretos dos trabalhadores antes, então não estou de acordo com a greve agora", disse a esteticista Teresa, 38 anos, arrancando cartazes colados pelos grevistas na porta do seu salão.

Com Reuters

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