Milhares de pessoas protestaram nesta sexta-feira contra o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em diversas cidades latino-americanas. As manifestações foram organizadas por ativistas colombianos como resposta às críticas de Chávez sobre o acordo militar entre a Colômbia e os Estados Unidos.

Os ativistas usaram redes sociais na internet, como Facebook e Twitter, para organizar os protestos sob o lema "Não mais Chávez", que contaram com o apoio de autoridades colombianas.

Segundo o correspondente da BBC Mundo na Colômbia Hernando Salazar, os manifestantes que foram às ruas na Colômbia eram, em sua maioria, pessoas da classe média e alta do país que se opõem às políticas socialistas do líder venezuelano.

Em Bogotá, centro dos protestos, milhares de manifestantes se vestiram de branco e carregavam placas com frases contra Chávez. Além da questão das bases americanas, os ativistas ainda criticaram as políticas de educação e a violência no país.

O embaixador da Venezuela na Colômbia, Gustavo Márquez, lamentou as demonstrações contra o presidente e afirmou que se tratam de um "feito inédito contra um chefe de Estado em exercício".

Márquez afirmou ainda que os protestos "buscam semear o ódio entre os dois países".

Caracas
Na capital venezuelana, Caracas, o protesto também ganhou apoio e centenas de manifestantes foram às ruas protestar contra o presidente.

Apesar disso, apoiadores de Chávez também organizaram manifestações a favor do presidente.

Um dos eventos ocorreu na Praça Bolívar, em Caracas. Durante a manifestação, um dos principais líderes do Partido Socialista da Venezuela, Freddy Bernal, fez um discurso para a multidão e demonstrou apoio ao que chamou de "revolução chavista".

"A revolução não é negociável e não está à venda", disse.

Chávez não participou das manifestações pois estava em viagem à Síria. Em uma entrevista exclusiva transmitida pela rede de televisão Telesur, o líder afirmou que "não se importa" com os protestos.

"Vá e marche contra Chávez, porque não é contra Chávez, é contra os povos", disse o líder venezuelano.

A especialista em Relações Internacionais da Universidade dos Andes Arlene Ticker disse à BBC Mundo que é "muito preocupante que se realizem manifestações desse tipo contra o presidente em exercício do principal vizinho da Colômbia".

"Estão construindo um novo inimigo para a pátria colombiana. Agora não são as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), mas Chávez", disse.

Segundo Ticker, os protestos "sem dúvida irão deteriorar o contexto das relações entre os dois países".

Mundo
Além de Colômbia e Venezuela, protestos ocorreram também em cidades como Madrid, Nova York, Paris, Bruxelas, Toronto, Buenos Aires e Tegucigalpa, mas em menor escala.

Na capital hondurenha, o líder do governo interino, Roberto Michelleti, se uniu aos manifestantes contra o presidente da Venezuela.

Além de Tegucigalpa, outras quatro cidades também realizaram protestos em Honduras.

Michelleti afirmou que as manifestações "são uma demonstração de que não queremos imposições de nenhuma espécie nesse país".

Chávez tem sido um dos maiores críticos do governo interino de Honduras.

O líder venezuelano chegou a pedir para que os Estados Unidos pressionem mais o governo liderado por Roberto Micheletti retirando os militares americanos da base que o país possui em Honduras.

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