Milhares protestam contra ação de Israel em Gaza

Por Suleiman Al Khalidi AMÃ (Reuters) - Tropas de choque dispersaram manifestantes que pretendiam fazer na sexta-feira uma passeata até a embaixada de Israel em Amã, e dezenas de milhares de pessoas protestaram na Jordânia e no Egito contra a ofensiva israelense na Faixa de Gaza.

Reuters |

Os manifestantes perto da embaixada, no bairro de Rabia, na capital jordaniana, apedrejaram a polícia e gritavam palavras de ordem exigindo o rompimento de relações diplomáticas da Jordânia com Israel. Blindados da polícia dispararam gás lacrimogêneo contra os manifestantes.

"Expulsem o embaixador. Não à embaixada sionista na terra jordaniana", gritavam eles.

Também no Egito os manifestantes exigiram a expulsão do embaixador. O Egito foi o primeiro país árabe a estabelecer relações diplomáticas com Israel, em 1979.

Na cidade litorânea egípcia de El Arish, cerca de 1.500 manifestantes diante da mesquita Rafae apedrejaram os policiais, ferindo três deles, segundo testemunhas.

Milhares saíram às ruas de outras cidades egípcias depois das preces de sexta-feira, exigindo que o governo abra sua fronteira com Gaza para ajudar no envio de alimentos e remédios à população. A polícia dispersou a maioria das manifestações.

No centro de Alexandria, na costa mediterrânea do Egito, pelo menos 5.000 pessoas agitaram bandeiras palestinas e gritaram slogans contra Israel e em prol do grupo islâmico Hamas, que governa a Faixa de Gaza.

"Estamos muito irritados com as mortes de mulheres e crianças", disse Hassan Ismail, 40 anos. "Pedimos ao governo egípcio que abra a passagem fronteiriça de Rafah, e pedimos o envio de alimentos, mantimentos e também de armas para o Hamas."

Fontes médicas em Gaza dizem que mais de 780 palestinos já morreram em duas semanas de ofensiva. Nesse período, Israel teve dez soldados mortos, além de três civis, atingidos por foguetes do Hamas.

PROTESTOS NA CISJORDÂNIA

Centenas de mesquitas na Jordânia realizaram preces pelos mortos, e nas passeatas ocorridas em cidades e campos de refugiados de todo o reino surgiram conclamações à "jihad" (guerra santa islâmica).

"Oh, mártires, que seu sangue não se vá em vão", gritavam jovens levando uma grande bandeira palestina, enquanto outros queimavam bandeiras norte-americanas e israelenses.

A maior parte dos 5 milhões de habitantes da Jordânia é de origem palestina. Eles ou seus antepassados foram expulsos do território que hoje é Israel ou fugiram de lá para a Jordânia quando o Estado judeu foi criado, em 1948.

Palestinos na Cisjordânia ocupada, governada pela facção laica Fatah, rival do Hamas, também protestaram, mas as manifestações foram rápidas e relativamente discretas.

(Reportagem adicional de Vincent Fertey em Nouakchott, Diadie Ba em Dacar, Will Rasmussen no Cairo, Yusri Mohamed em El Arish, Egito, Zahra Hosseinian em Teerã)

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG