Milhares portestam em apoio a golpe de Estado na Mauritânia

NUAKCHOTT - Dezenas de milhares de manifestantes tomaram hoje as principais ruas da capital mauritana e se dirigem para o palácio presidencial a fim de mostrar seu apoio ao golpe de Estado realizado na última quarta-feira pelos militares.

Redação com agências internacionais |

Os militares da Mauritânia deram um golpe de Estado nesta quarta-feira e prenderam o presidente Sidi Mohammed Ould Cheikh Abdallahi e o primeiro-ministro Yahya Uld Ahmed Waghf, informaram fontes oficiais.

AP
Presidente da Mauritânia, em foto de arquivo
Presidente da Mauritânia,
em foto de arquivo
Abdalahi, primeiro presidente eleito democraticamente na Mauritânia, em março de 2007, desde a independência em 1960, foi levado para o edifício da Guarda Presidencial. Seu chefe de governo está em um quartel perto da sede da presidência.


A rádio e a televisão nacionais saíram do ar pouco antes do anúncio do golpe. De acordo com testemunhas, as instalações dos meios de comunicação foram desalojadas pelas tropas.

Os militares iniciaram o golpe depois de um decreto presidencial que exonerou alguns militares de alta patente no país. Os militares efetuaram a prisão do presidente apó o decreto ter sido lido em rede nacional de televisão.

A Mauritânia enfrentava nos últimos dias uma crise política, depois de um voto de desconfiança de parlamentares contra o gabinete de governo. Na segunda-feira, 48 parlamentares abandonaram o partido governista.

Abdallahi, de 68 anos, é economista e ex-ministro. Ele foi eleito neste ano ao vencer, no segundo turno, o veterano ícone da oposição, Ahmed Ould Daddah, de 64 anos.

A eleição de Abdallahi marcou o fim do regime militar iniciado por um golpe em 2005. A Mauritânia, ex-colônia francesa, independente desde 1960, sofreu durante décadas com a corrupção, golpes e regimes autoritários.


MIlitares da Mauritânia fazem patrulha na capital / AFP

História conturbada

A Mauriânia, localizada na África Ocidental, é uma ex-colônia francesa que conseguiu sua independência em 1960. O país de 3,3 milhões de habitantes sofreu o primeiro golpe em 1984 e foi governado com mão de ferro por Maaouya Ould Sid Ahmed Taya, até ser deposto numa insurreição em agosto de 2005.

Uma junta militar foi empossada e supervisionou o processo de transição democrática que culminou na eleição de Sidi Ould Cheikh Abdallah em abril de 2007.

O país muçulmano ainda convive com tensões raciais e metade da população ainda depende de atividades relacionadas à agricultura e criação de gado, apesar da ricas jazidas de minério de ferro, que respondem por 40% das exportações.

Veja onde fica a Mauritânia:


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