Milhares passam 2ª noite ao relento em Porto Príncipe

Porto Príncipe, 14 jan (EFE).- Milhares de pessoas voltaram a dormir ao relento em Porto Príncipe, onde o caos e a anarquia continuam hoje imperando, enquanto começa a chegar a ajuda internacional para os desabrigados por causa do terremoto da terça-feira.

EFE |

"Não começou nem sequer uma célula de gestão da crise", destacou o site da "Radio Metropole", em uma espécie de notas sobre o dia de hoje em Porto Príncipe, junto com outras sobre como "alguns cadáveres começam a inchar por causa do calor" ou "a maior parte dos postos de gasolina não tem combustível".

Depois do terremoto, seguido por três réplicas menos intensas, as ruas e praças da capital haitiana se transformam à noite em um grande dormitório coletivo.

De dia, essas mesmas pessoas vagam por uma cidade onde os cadáveres apodrecem nas ruas, os feridos esperam um auxílio que não chega e ainda é possível ouvir os lamentos das pessoas presas sob os escombros dos vários edifícios que desabaram.

Em meio a esse panorama, não há autoridade ou ordem. As pessoas se ajudam umas a outras, enquanto alguns esforçados integrantes de organizações humanitárias tentam aliviar um pouco a situação.

As vítimas são contadas em centenas de milhares, mas não há dados precisos. Algumas fontes calculam que este novo desastre natural sofrido pelo Haiti deixará cerca de 100 mil mortos.

O presidente haitiano, Rene Préval, e os membros de seu gabinete estão em Porto Príncipe, alguns até percorreram as ruas para observar pessoalmente os danos, mas não se reúnem nem tomam decisões, em parte, devido à destruição de muitos dos edifícios públicos e ao fato de que as comunicações não funcionam.

Enquanto isso, a ajuda humanitária começou a chegar. O aeroporto de Porto Príncipe está operando com dificuldades, sem torre de controle e com pouca luz elétrica, mas, ontem à noite, aterrissaram alguns aviões com cargas de alimentos e remédios, e equipes de pessoas.

O site "Haiti Press Network", ao informar que milhares de pessoas invadem os jardins públicos e qualquer lugar onde não haja escombros para passar a noite, indicou que, "dada a confusão atual, esta situação pode durar muitos dias".

A "Radio Metropole" adverte sobre o risco de que pessoas de boa vontade tentem remover as montanhas de destroços de metal e cimento onde antes havia um edifício para ajudar sobreviventes.

"Essas pessoas não podem ajudar outras sem colocar sua vida em risco. A qualquer momento, tudo pode cair e causar novas vítimas", afirmou o site da emissora.

O terremoto de 7 graus na escala Richter aconteceu às 19h53 de Brasília da terça-feira e teve epicentro a 15 quilômetros de Porto Príncipe, a capital do Haiti. O primeiro-ministro do país, Jean Max Bellerive, cifrou o número de mortos em "centenas de milhares".

O Exército brasileiro confirmou que pelo menos 14 militares do país que participam da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah) morreram em consequência do terremoto.

A brasileira Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, ligada à Igreja Católica, também morreu no tremor. EFE js/an

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