Milhares fazem luto no Irã por mortos em protestos

Por Parisa Hafezi TEERÃ (Reuters) - O líder supremo do Irã vai falar à nação na sexta-feira apela primeira vez desde as polêmicas eleições, que dispararam os maiores protestos já vistos pela República Islâmica.

Reuters |

O aiatolá Ali Khamenei tem pedido que os iranianos se unam em torno do presidente conservador Mahmoud Ahmadinejad, mas os apoiadores do candidato derrotado Mirhossein Mousavi até agora ignoraram o apelo, formando enormes manifestações em um desafio às proibições do governo.

O discurso de Khamenei para as orações de sexta-feira na capital iraniana acontecerá após o sexto dia de protestos dos seguidores de Mousavi. Nesta quinta-feira, dezenas de milhares de pessoas vestidas de preto e carregando velas marcharam em uma demonstração de luto aos mortos nos primeiros protestos.

A maior e mais disseminada manifestação desde a Revolução Islâmica de 1979 abalou o quinto maior exportador de petróleo do mundo, que vive uma disputa contra o Ocidente sobre seu programa nuclear.

A mídia estatal do Irã afirma que sete ou oito pessoas foram mortas nos protestos desde que o resultado das eleições foi divulgado em 13 de junho. Vários reformistas tem sido presos, e as autoridades têm reprimido a mídia doméstica e internacional.

A prêmio Nobel da Paz Shirin Ebadi afirmou que cerca de 500 pessoas foram presas na semana passada, e pediu a libertação incondicional delas. Ela declarou que o Irã deveria realizar novas eleições com a supervisão da Organização das Nações Unidas (ONU).

Mousavi, político moderado que defende uma melhor relação com o Ocidente, também tem pedido que a eleição seja anulada, afirmando que a promessa do maior órgão legislativo do país --o Conselho dos Guardiães-- de recontar parte das urnas não foi longe o bastante.

O conselho convidou Mousavi e dois outros candidatos derrotados para uma conversa no sábado, e disse que começou a "examinar cuidadosamente" 646 reclamações.

As queixas falam de falta de cédulas, de pressão sobre os eleitores a favor de determinados candidatos e da obstrução de representantes dos candidatos em colégios eleitorais.

O Irã tem reclamado da crítica internacional sobre as eleições, ainda que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, tenha evitado comentários para deixar a porta aberta para um possível diálogo.

No protesto desta quinta-feira, os manifestantes encheram uma praça de Teerã em resposta ao pedido de Mousavi para se reunir em mesquitas ou em protestos pacíficos em uma demonstração de solidariedade com as vítimas e suas famílias.

Eles levavam fotos das pessoas assassinadas, algumas com seus rostos ensanguentados.

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