Milhares desenvolveram asma depois de 11 de setembro, diz estudo

Milhares de pessoas expostas aos ataques de 11 de setembro de 2001, em Nova York, desenvolveram asma cinco ou seis anos após o evento, segundo uma pesquisa realizada pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) de Atlanta, Estados Unidos. Estudos anteriores já haviam indicado a incidência de problemas respiratórios e mentais associados com a exposição direta à poeira levantada no local dos ataques num período de dois a três anos depois do evento.

BBC Brasil |

Mas o impacto na saúde das pessoas em um prazo mais longo ainda não havia sido divulgado.

A pesquisa do CDC, publicada pela revista Journal of the American Medical Association (Jama) é resultado da segunda fase de um estudo iniciado em 2003 com integrantes de equipes de resgate, moradores da região de Manhattan onde ficavam os prédios do World Trade Center, funcionários que trabalhavam naquela região e pessoas que passavam pelo local no momento do ataque.

Na primeira fase, entre 2003 e 2004, os pesquisadores entrevistaram 71.437 pessoas.

Já nesta segunda fase, realizada entre 2006 e 2007, a equipe acompanhou a situação de 46.322 adultos - 68% do grupo que havia sido acompanhado na fase anterior.

Casos
Entre os participantes desta segunda fase que não apresentavam histórico de asma na família, 10,2% informaram novos casos da doença depois dos ataques de 2001.

O grupo dos integrantes das equipes de resgate apresentou o maior índice de diagnóstico de asma - 12,2%.

O segundo grupo mais atingido pela doença foi o de pessoas que passavam pelo local no momento do ataque e desmoronamento das torres (8,6%).

Entre os entrevistados, 39% dos que relataram diagnóstico de asma depois de 11 de setembro de 2001 também relataram exposição intensa à nuvem de poeira.

"Estas análises confirmam que a exposição à nuvem de poeira estava associada a novos casos de asma em cada um dos grupos, incluindo os 1.913 transeuntes que apenas foram expostos ao ar e à poeira da região no dia 11 de setembro", afirmam os autores do estudo.

Equipes de resgate
Para os integrantes de equipes de resgate que trabalharam no local onde ficava o World Trade Center no dia 11 de setembro, o risco de desenvolver asma foi maior do que entre aqueles que começaram a trabalhar no local depois dos ataques.

O risco de desenvolver a doença também se mostrou associado com algum dano na residência ou escritório. O risco era maior se havia uma pesada camada de poeira nesses locais.

Entre os moradores da região, os números de casos de asma eram mais altos entre os que não foram retirados do entre os que foram removidos da região.

Estresse
O estudo também indica que, entre os que relataram diagnóstico de asma depois dos ataques, 36% também tinham sintomas de estresse pós-traumático.

Entre os adultos que não sofriam com o problema antes de 11 de setembro de 2001, 23,8% foram diagnosticados com estresse pós-traumático ou apresentaram sintomas do problema.

Esse dado foi registrado tanto na primeira pesquisa, entre 2003 e 2004, (14,3% dos participantes) como entre os entrevistados nesta segunda fase (19,1%).

Na segunda etapa, a prevalência de sintomas de estresse pós-traumático aumentou em cada um dos grupos, com o maior aumento registrado no grupo dos integrantes de equipes de resgate.

Entre os que participaram da pesquisa, 13,6% daqueles que não sofriam de estresse pós-traumático antes dos ataques, relataram terem sido diagnosticados com o problema depois de 11 de setembro de 2001.

Nesse grupo, 14% foram diagnosticados com depressão e 7,4% relataram que foram diagnosticados com os dois problemas.

"Nossas descobertas confirmam que, depois de um ataque terrorista, os problemas mentais podem persistir se não forem identificados e tratados de forma adequada. E que um número importante de pessoas que foram expostas podem desenvolver sintomas tardios", afirmam os pesquisadores.

"Nosso estudo destaca a necessidade de vigilância, alcance, tratamento e avaliação dos esforços durante muitos anos depois de um desastre, para evitar e aliviar as consequências no setor de saúde."

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