Milhares deixam Tóquio com medo de contaminação nuclear

Estações de trem e aeroportos estão cheios na capital japonesa, localizada a 250 quilômetros da usina de Fukushima

iG São Paulo |

Milhares de japoneses e estrangeiros tentam deixar Tóquio, capital do Japão, enquanto se agrava a situação na usina nuclear de Fukushima, localizada a cerca de 250 quilômetros. Embora as autoridades insistam que os níveis de radioatividade na capital aumentaram, mas não são alarmantes, estações de trem e aeroportos estão lotados de moradores que procuram lugares mais seguros e distantes da radiação nuclear.

O professor universitário Daiju Wada, 28 anos, enfrentou nesta quinta-feira uma fila na estação de Shinjuku para garantir passagens de trem-bala em direção à Tokushima, cidade à sudoeste do Japão, onde vivem seus pais. "A universidade não está funcionando e, por insistência dos meus pais, resolvi sair de Tóquio", disse, em entrevista à BBC Brasil.

O jovem não acredita que o governo japonês esteja mentindo sobre a periculosidade dos níveis de radiação. Mesmo assim, ele se mostra desconfiado com o risco real. "Acho que eles não podem provar, por enquanto, que darão conta de controlar a situação", disse.

O estudante malaio Chong Foo Koon, 20 anos, também esperava sua vez para comprar os bilhetes para toda a família - a mãe e cinco irmãs - para o aeroporto de Narita. O destino era Kuala Lumpur, capital da Malásia.

"Vamos voltar e ficar por lá para nos sentirmos mais seguros", afirmou o rapaz, que estuda cultura japonesa em Utsunomiya, na província de Tochigi. "Lá não temos desastres naturais", completou sua mãe.

Cheng, uma jovem chinesa de 29 anos, disse que a empresa para qual ela trabalha comprou uma passagem de avião, só de ida, para que retornasse a Pequim.

"Não quis pegar todas as minhas coisas porque espero voltar ao Japão quando tudo isso tiver passado. Meus amigos ficaram, mas estão forçando a volta das mulheres jovens", afirmou, em entrevista à agência EFE.

Despreocupados

Alguns moradores de Tóquio parecem menos preocupados. Kureha Nakmori, 22 anos, caminhava tranquilamente na tarde desta quinta, vestida de quimono. Acompanhada da mãe, o jovem ia para a sua formatura. "A festa foi cancelada e vou apenas buscar o diploma. Como já tinha alugado o quimono, achei desperdício não usar", disse.

"Acredito no governo e acho que esses níveis de radiação não farão mal para nossa saúde", afirmou a jovem. "Não vamos deixar Tóquio enquanto o governo não ordenar a evacuação".

Leo Kwan, 19 anos, também não demonstra preocupação. Ele fazia turismo pelo centro da capital japonesa ao lado da mãe. "Chegamos dois dias depois do terremoto. Não tinha mais como trocar as passagens e resolvemos vir de qualquer forma", contou o jovem, que mora em Nova York.

"Os níveis de radiação são normais e não fazem mal a saúde", diz o estudante. "Vamos aproveitar esses dias para conhecer outros pontos da cidade tranquilamente", afirmou ele, que volta para os EUA na próxima segunda-feira.

Embaixadas

O governo japonês retirou os moradores num raio de 20 km da usina nuclear Fukushima Daiichi e sugeriu aos moradores em um raio inferior a 30 km que permanecessem em suas casas. No entanto, a embaixada dos Estados Unidos sugeriu aos norte-americanos que moram num raio de 80 km que evacuem a área como medida de prevenção.

A embaixada britânica advertiu aos seus nacionais para que deixem Tóquio e áreas mais ao norte, enquanto a Rússia anunciou a retirada de famílias de diplomatas da capital. A França pediu à Air France para disponibilizar mais aviões na rota Tóquio-Paris e, assim, facilitar a saída dos franceses da cidade.

Outras embaixadas transferiram seus funcionários para cidades mais a sudoeste do Japão. O governo da Áustria, por exemplo, transferiu suas atividades para Osaka. Muitas multinacionais seguiram o exemplo dos governos e também realocaram seus funcionários para outras áreas ou países asiáticos.

Com BBC e EFE

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