Por Mert Ozkan ANCARA (Reuters) - Milhares de manifestantes antigoverno foram às ruas em passeata na capital turca neste domingo, pedindo a renúncia do primeiro-ministro Tayyip Erdogan por alegadas violações dos princípios seculares do país.

Cerca de 20 mil pessoas agitando bandeiras turcas vermelhas e brancas e carregando faixas dizendo "a Turquia secular vai continuar a ser secular" caminharam da praça Tandogan, no centro da cidade, até o mausoléu de Mustafa Kemal Ataturk, fundador da moderna República da Turquia.

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Manifestantes na Turquia

Os manifestantes também protestaram contra a maneira como o governo vem administrando a economia, no momento em que o desemprego atinge nível recorde em meio à recessão econômica global. Alguns criticaram a chamada investigação Ergenekon de um suspeito grupo nacionalista acusado de conspirar para derrubar o governo de Erdogan.

Os adversários de Erdogan dizem que ele quer tornar a Turquia mais abertamente islâmica, através de medidas incrementais, como a tentativa fracassada de revogar a proibição do uso do lenço de cabeça islâmico nas universidades. O partido governista AK escapou por margem estreita de ser proibido no ano passado, após acusações de que estaria solapando a Constituição secular da Turquia.

Erdogan prometeu emendar a Constituição para promover uma reforma do Judiciário, dificultando o fechamento de partidos políticos por motivos ideológicos.

Os críticos das mudanças propostas pelo governo dizem que as modificações propostas ameaçariam o princípio do secularismo, que está na base da nação. Noventa e nove por cento dos 71 milhões de habitantes da Turquia são muçulmanos, mas o Estado controla a religião rigidamente.

"Que a mão que tocar no Judiciário se quebre", diziam algumas das faixas carregadas na passeata do domingo.

A União Europeia já disse que, se a Turquia quiser fazer avanços em sua tentativa de ingressar na UE, terá que reformar sua Constituição para garantir direitos humanos como a liberdade de religião e de expressão.

A marcha em Ancara foi organizada pela secularista Associação do Pensamento de Ataturk, que teria tido envolvimento na investigação Ergenekon. O texto do indiciamento feito no caso Ergenekon diz que uma série de protestos organizados pela associação em 2007 fizeram parte de uma tentativa ilegal de derrubar o governo.

Em 2007, milhões de pessoas fizeram manifestações para protestar contra a escolha pelo governo do islâmico Abdullah Gul para ocupar a presidência.

Depois de as Forças Armadas, secularistas, também terem expressado reservas quanto à candidatura de Gul, Erdogan convocou eleições antecipadas.

O partido AK acabou vencendo a eleição de julho de 2007 com a maior margem de votos em quatro décadas, e o novo Parlamento elegeu Gul para a presidência no mês seguinte. A próxima eleição geral na Turquia está prevista para 2011.

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