Paris, 19 out (EFE).- Dezenas de milhares de pessoas protestaram hoje em Paris contra a política educacional do Governo, principalmente contra seus planos de cortar 40 mil empregos em três anos, muitos deles de professores.

A manifestação, que ocorreu entre a Praça da Itália e a da Bastilha, foi convocada por 47 organizações, entre sindicatos de professores, de estudantes, associações de pais, associações juvenis e movimentos pedagógicos com o lema: "A educação é nosso futuro, não deve ser decidida sem nós".

Segundo os organizadores, cerca de 80 mil pessoas participaram da manifestação.

Entre os presentes estavam líderes da oposição de esquerda, entre eles três dos aspirantes a obterem a liderança do Partido Socialista (PS): a ex-ministra e prefeita de Lille, Martine Aubry, o prefeito de Paris, Bertrand Delanoë, e Benoît Hamon.

Embora não tenha participado, outra pretendente a levar as rédeas do PS, a ex-candidata presidencial Ségolène Royal, expressou sua solidariedade com o protesto.

Ela declarou que é um "absurdo um sistema que consiste em retirar" verba da educação (...) em um momento em que "mais de 300 bilhões de euros" são disponibilizados "para o sistema financeiro".

O protesto de hoje foi o segundo pelas mesmas reivindicações, após o fracasso de outro organizado no último dia 7, que por ter ocorrido em dia letivo não contou com o apoio das associações de pais nem de muitos professores que resistiram a respeitar a greve.

O secretário-geral da federação educacional da União Nacional de Sindicatos Autônomos (UNSA), Patrick Gonthier, disse que durante os cinco anos de gestão do presidente francês, Nicolas Sarkozy (2007-2012), o Executivo pretende eliminar 100 mil empregos na educação, 10% do total.

Este ano haverá um corte de 11.200 postos, essencialmente com a supressão das vagas dos professores que se aposentam, depois dos 9.500 de 2007, e o ministro da Educação, Xavier Darcos, prevê outros 13.500 cortes no orçamento de seu departamento para 2009. EFE ac/ab/fal

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