Milhares de pessoas pedem ao G20 mais justiça social

Judith Mora. Londres, 28 mar (EFE).- Dezenas de milhares de pessoas fizeram passeata hoje pelas ruas de Londres para pedir ao Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e principais emergentes), às vésperas da cúpula de 2 de abril, que centre seus esforços em criar postos de trabalho, promover a justiça social e salvar o planeta.

EFE |

Sob o lema de "Put people first" ("Coloque as pessoas em primeiro lugar"), uma coalizão de mais de 130 organizações sindicais, religiosas, políticas e humanitárias de vários países promoveu atos com música e cartazes para lembrar ao Grupo que "em primeiro lugar vêm as pessoas".

Apesar dos alertas da Polícia, a manifestação - que contou com a participação de entre 35 e 40 mil pessoas, segundos os organizadores - transcorreu em um clima animado e sem sinais de violência, com a presença de cidadãos de diversas nacionalidades, credos, idades e raças.

Lorna Hicks, uma idosa que estava na manifestação, disse à Agência Efe que o ato - o primeiro de muitos previstos para serem realizados durante a cúpula - foi pensado "porque as necessidades das pessoas do Terceiro Mundo são mais importantes que as dos banqueiros".

Ao lado de uma amiga, Hicks tinha assistido ao ato ecumênico que o bispo de Londres, Richard Chartres, oficiou antes do protesto, que saiu de Embankment, às margens do rio Tâmisa, até Hyde Park, onde foram feitos os discursos.

Uma das oradoras hoje foi a escritora e filósofa franco-americano Susan George, autora de livros como "O mercado da fome" (1974) e "The Lugano report" (2003), que ressaltou a importância de "avançar em direção a uma economia verde".

Crítica habitual do aspecto neoliberal da globalização, George expressou pouca confiança no G20, porque "não vão escutar, não tem ideias. Só ocorre (ao Grupo) dar dinheiro ao Fundo Monetário Internacional (FMI), que é um dos responsáveis pelo problema no qual estamos", disse em entrevista à Agência Efe.

Assim como a especialista, que defendeu a "socialização" dos bancos para criar empregos ecológicos, as organizações de defesa do meio ambiente, como Greenpeace ou Friends of the earth, pediram aos líderes políticos um novo sistema econômico que favoreça os postos de trabalho "verdes" e reduza as emissões de gases poluentes.

A proteção do planeta foi uma das mensagens mais claras desta manifestação, junto com a criação de empregos sustentáveis e uma maior justiça social.

Neste sentido, a ativista nicaraguense Bianca Jagger, ex-mulher do cantor Mick Jagger, pediu aos líderes dos países ricos que "se deem conta da responsabilidade que têm frente aos países em desenvolvimento".

Várias organizações sindicais de toda a Europa reivindicaram ao G20 que se invista mais na criação de emprego e menos nos bancos cuja postura de assumir riscos excessivos originou a crise.

O secretário-geral do TUC (agrupamento de sindicatos britânicos), Brendan Barber, lembrou que "a crise não é um desastre natural nem um ato de deus, mas a consequência de decisões irresponsáveis que geraram uma desigualdade crescente, e da cobiça que alimentou essa desigualdade".

"Os mais pobres do planeta são os que estão em maior perigo, e o G20 enfrenta o desafio de criar um mundo melhor", afirmou, para acrescentar que "pode-se criar riqueza, mas é preciso distribuí-la".

O líder sindical britânico Paul Kenny argumentou que "é preciso investir em tecnologia ecológica e em serviços sociais em vez de colocar o dinheiro nos bolsos dos banqueiros".

Por sua vez, o músico mauritano Daby Touré, que atuou no final da manifestação, quis transmitir a mensagem das pessoas de seu povo no país africano, "da urgência das necessidades" à escassez de água e alimentos.

Além da manifestação de hoje, há outros atos de protesto previstos por ocasião da cúpula dos chefes de Estado e do Governo das economias mais industrializadas e emergentes, que será realizada em 2 de abril no centro de feiras Excel do leste de Londres.

Como nesse dia será difícil de se aproximar do local, devido às fortes medidas de segurança, a maioria dos protestos ocorrerá no dia 1º de abril, quando vários grupos contrários ao sistema devem ocupar a City, o centro financeiro de Londres, com atos entre filmes e provocações. EFE jm/DB

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