Milhares de pessoas marcham em vários países contra ingerências de Chávez

Bogotá, 4 set (EFE).- Milhares de pessoas protestaram hoje em vários países, principalmente na Colômbia, Honduras e nos Estados Unidos, contra as ingerências do presidente venezuelano, Hugo Chávez, em resposta a uma convocação lançada por um grupo de jovens colombianos através das redes sociais virtuais Twitter e Facebook.

EFE |

As principais marchas, sob o lema "Não Mais Chávez" e com seus participantes vestindo camisetas brancas, aconteceram na Colômbia, Honduras e na cidade americana de Miami, com milhares de manifestantes, enquanto em Caracas, os atos a favor e contra o governante convocaram centenas de pessoas.

Outras cidades de todo o mundo, como Nova York, Madri, Barcelona, Buenos Aires, Santiago do Chile, Panamá, Quito, La Paz, Paris e Berlim foram palco de atos contra do líder venezuelano, embora em nenhum caso tenham conseguido superar os 200 participantes.

Enquanto isso, o Parlamento venezuelano, de maioria governista, desenvolveu uma contra-ofensiva em vários países da América Latina e da Europa, aos quais enviou 25 de seus membros para denunciar a cooperação militar entre os EUA e a Colômbia.

O presidente da comissão de Política Externa da câmara, Roy Daza, acusou Uribe, em Madrid, de impulsionar uma campanha contra Chávez, enquanto o deputado Carlos Escarrá, em Brasília, atribuiu as marchas à "direita internacional" e disse que se transformarão em "um bumerangue para o império", em alusão aos EUA.

A maior concentração aconteceu em Bogotá, onde entre 8 mil e 10 mil pessoas saíram de diferentes pontos para se concentrar no centro da cidade.

A Colômbia, cujas relações com a Venezuela estão congeladas por decisão de Chávez, devido ao acordo que Bogotá deve assinar com os EUA para autorizar o uso de sete bases militares em território colombiano por soldados americano, foi o país de onde um grupo de jovens convocou o protesto internacional pelo Facebook e pelo Twitter.

Oscar Morales, um dos organizadores da série de protestos, disse à Agência Efe que as ações de "massificação do protesto contra o governante venezuelano e seus desejos de expansão" são apenas o começo, não só na Colômbia, mas em 30 países.

O dia na capital colombiana foi salpicado por manifestações menores, protagonizados por aproximadamente 100 universitários contra o presidente colombiano, Álvaro Uribe, em resistência às mobilizações contra Chávez.

Em outras cidades, como Medellín, Cali, Bucaramanga, Cúcuta, Cartagena e Barranquilla, mobilizações similares foram realizadas, mas com menos assistência e sem incidentes.

A convocação em Honduras também teve uma repercussão em massa, onde milhares de pessoas marcharam em cinco cidades, incluindo o líder interino do país, Roberto Micheletti, que, desde que foi nomeado em substituição a Manuel Zelaya, após o golpe de Estado do dia 28 de junho, denunciou ingerência venezuelana em seu país.

Chávez achou "que com um pouco de combustível, e não dele, mas do povo venezuelano, viria comprar consciências em nosso país. Pois se equivocou", disse Micheletti durante a manifestação em Tegucigalpa, onde os seguidores de Zelaya também se reuniram para pedir sua restituição.

Em Miami, mais de 2 mil latino-americanos desafiaram a chuva e foram à concentração, realizada em frente a uma estátua do herói venezuelano Simón Bolívar, contra "a ingerência e o expansionismo 'chavista' nos povos latino-americanos".

Já em Caracas, centenas de opositores se manifestaram pacificamente durante três horas contra o presidente venezuelano e sua "revolução bolivariana".

"Chávez go home (Cuba)" (Chavez, volta para casa (Cuba)) rezava um das dezenas de cartazes, enquanto os favoráveis ao Governo se reuniram em outro ponto da cidade para criticar o que qualificaram como uma "incitação ao ódio", em alusão às manifestações "Não Mais Chávez".

Os dois grupos foram convocados para novas manifestações amanhã na capital venezuelana, onde os opositores denunciarão "os atropelos e perseguições" do Governo, enquanto os governistas apoiarão a chamada campanha "Em Pé de Paz", lançada para defender a "revolução".

A campanha foi lançada hoje em, Caracas, com uma manifestação na Praça Bolívar, com o objetivo de convocar pessoas em "50 países" do mundo para enfrentar a política "de guerra" dos EUA rumo à América Latina.

No resto do mundo, uma das manifestações mais numerosas aconteceu em Nova York, com apenas 200 pessoas, que se concentraram em frente à sede das Nações Unidas para pedir o fim do "intervencionismo" de Chávez em outros países da América Latina.

Tanto em Madri, quanto em Barcelona, apenas 100 pessoas se uniram aos protestos.

Em Buenos Aires, também somente uma centena de pessoas se concentraram em uma manifestação na Praça San Martín, enquanto em Santiago do Chile pouco mais de dez membros das juventudes de partidos direitistas fez o mesmo, em frente à embaixada da Venezuela.

Na capital do Panamá, 100 venezuelanos residentes no país participaram de um ato com cartazes dizendo "Fora Chávez", enquanto que em Manágua, dezenas de manifestantes estenderam o protesto para demonstrar sua rejeição ao Governo do presidente da Nicarágua, Daniel Ortega.

Nos países com Governos que apoiam o da Venezuela, como a Bolívia e o Equador, as manifestações reuniram apenas algumas dezenas de pessoas. EFE pa/pd

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