Milhares de pessoas mantêm em Madri protesto contra cenário político

Duas mil pessoas montaram um acampamento na praça Puerta del Sol para exigir melhores condições de vida e trabalho

EFE |

Cerca de duas mil pessoas mantêm na madrugada desta quarta-feira, na praça Puerta del Sol, em Madri, um protesto pacífico para exigir uma "democracia real" e a melhora das condições de vida, com críticas constantes à classe política.

O já denominado Movimento 15-M - em alusão ao último 15 de maio, dia em que começaram as manifestações cidadãs, voltou ao centro de Madri após ter tido seus integrantes retirados pela Polícia na madrugada desta terça-feira.

AP
Manifestantes montam acampamento na praça Puerta del Sol

Em um ambiente festivo, os manifestantes tomaram novamente a emblemática praça da capital espanhola e a decoraram com vários cartazes exigindo melhores condições de vida em um país com quase cinco milhões de desempregados.

Uma grande lona azul, que faz o local parecer a praça Tahrir, no Cairo, serve de teto para os manifestantes, que passam a noite entre cânticos, jogos e debates.

Até o momento não houve enfrentamentos, e a tranquilidade predomina na praça, que permanece custodiada por cerca de 50 policiais postados em frente ao edifício da comunidade Autônoma de Madri (Governo Regional).

A espontaneidade do movimento, que usa as redes sociais como motor, deu lugar a uma progressiva organização dos manifestantes. Mostra disso são as diferentes comissões de infraestrutura, comunicação, alimentação, ação e atividades, limpeza, e coordenação interna, encarregadas de coordenar e estabelecer um plano de ações para os próximos dias.

Apesar de o objetivo ser a permanência até o próximo domingo, dia das eleições municipais e regionais na Espanha, os manifestantes não descartam prolongar o prazo.

"Aqui não há líderes, mas reina a unidade", assegura Bruno, de 25 anos, que acaba de ingressar na lista de desempregados e reivindica o fim do bipartidarismo político (Partido Socialista-Partido Popular), assim como a instauração de uma verdadeira democracia social.

As manifestações têm três reivindicações fundamentais: trabalho, moradia e reforma da lei eleitoral para um sistema mais justo e equitativo.

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