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Milhares de pessoas iniciam novo êxodo na Louisiana para fugir de Gustav

Jorge A. Bañales.

EFE |

Nova Orleans (EUA.), 30 ago (EFE) - Mais de 500 mil pessoas do sul da Louisiana iniciaram hoje um novo êxodo, três anos depois do furacão "Katrina", para fugir, desta vez, do temido fenômeno "Gustav", que já atinge Cuba e cuja trajetória pode levá-lo aos Estados Unidos.

Enquanto as rodovias e estradas começam a se encher de veículos, os engenheiros inspecionam o vasto sistema de diques que devem proteger a região das inundações, para evitar um desastre similar ao de 2005.

O Centro Nacional de Furacões (NHC, em inglês) dos Estados Unidos, com sede em Miami, prevê que "Gustav", que atingiu hoje Cuba como furacão de categoria 4, chegará na noite de segunda-feira ou madrugada da terça-feira à Louisiana, em uma faixa entre os municípios Lafourche e St. Mary.

"Gustav" deve atravessar o Golfo do México como um ciclone de máxima intensidade, ou seja, categoria 4 ou 5 da escala de Saffir-Simpson de um máximo de cinco, e que poderia gerar ressacas de até três metros.

Sob um céu claro com brisa suave e temperatura de 32 graus Celsius, milhares de veículos avançam hoje lentamente pelas estradas de Nova Orleans e do litoral em direção ao interior cheios de famílias, com crianças, animais e seus pertences.

Um gerente de recepção de hotel da cidade rejeitou a solicitação de vários jornalistas para se hospedarem, após a ordem de evacuação obrigatória emitida pelo prefeito, Ray Nagin, e a cidade começa a ter um aspecto fantasma.

As lojas mais elegantes de Canal Street e das proximidades do French Quarter cobriram as vitrines com painéis de madeira em muitos casos com decoração artística que dava um toque de arte, como se fosse uma cidade de murais.

Em um amplo supermercado do Wal-Mart, saqueado em 2005 após a passagem do "Katrina", o revestimento era de painéis pintados de preto e o local estava cercado de policiais e seguranças particulares.

Na rodovia estadual 10, que leva ao aeroporto de Nova Orleans e, dali, a Baton Rouge e Texas, o tráfego avança desde o meio da manhã a um ritmo de 5 km/h.

A partir das 8h (em Brasília) de domingo, será habilitado o tráfego de evacuação em ambas as vias das estradas e será proibido o retorno em direção ao sul do estado.

"Não sei onde vamos parar, mas, por enquanto, disseram que estão nos levando para Dallas", disse à Agência Efe o salvadorenho Norberto Sosa em um posto de gasolina na rota 10.

"Não tenho família aqui, estamos com outros companheiros que trabalham na construção de um motel, mas já nos disseram que é preciso ir embora", contou Sosa, enquanto esperava a chegada de um ônibus.

O último vôo comercial do aeroporto Louis Amstrong partirá amanhã às 20h (em Brasília) e o terminal estava, hoje, cheio de turistas que tinham vindo passar o feriado do Dia do Trabalho.

As autoridades informaram que, depois dessa hora, só partirão aviões militares para a evacuação de pessoas em situações de graves emergências.

Algumas redes de telefonia celular deixaram de operar e só permitem as ligações de emergência.

As autoridades pedem constantemente à população que abandone toda a região desde o limite do Mississipi, no leste, até perto da divisa com o Texas, no oeste.

Em 2005, mais de 1,5 milhão de pessoas evacuaram a área a salvo de forma ordenada, mas 60 mil que ficaram em Nova Orleans estiveram isoladas durante vários dias.

As autoridades federais, estaduais e municipais tomaram, nesta ocasião, precauções para que não se repitam as situações de três anos atrás.

Uma das razões pelas quais os habitantes mais pobres não deixaram o estado em 2005 foi a má localização de centenas de ônibus, mas, desta vez, houve divulgação correta de onde estão os veículos.

Os policiais em motocicleta, nas estradas, abrem passagem aos comboios de ônibus para acelerar o tráfego e na cidade se reitera com megafones que a evacuação é obrigatória.

O temor de saques foi uma das razões que levou os residentes de alguns bairros de classe média a se recusarem a deixar suas casas, há três anos.

O major-general Bennett Landreneau, chefe da Guarda Nacional de Louisiana, esclareceu hoje que as pessoas que deixarem o estado voluntariamente podem ter a certeza de que os bairros serão vigiados por tropas militares.

Além disso, advertiu de que aqueles que se recusarem a deixar o local devem permanecer em suas casas porque não será permitido que se movimentem pelo bairro para evitar incidentes e saques. EFE jab/db

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