Genebra, 15 jan (EFE).- Milhares de pessoas precisam ser operadas imediatamente e esperam sua vez em meio ao caos que reina na capital haitiana, Porto Príncipe, três dias depois do terremoto que assolou o país, segundo a ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF).

Em entrevista coletiva por telefone, Stefano Zannini, chefe da missão da MSF no Haiti, disse que "milhares de pessoas precisam de cirurgias imediatas e esperam em nossas estruturas", mas disse que não tem dados de outros hospitais que não pertençam à ONG.

Os ferimentos mais frequentes dos pacientes são "fraturas abertas", que requerem cirurgia, disse o responsável da MSF, mas afirmou que também há feridos com queimaduras graves.

"Ontem, conseguimos operar mais de 100 pessoas, mas há milhares esperando", acrescentou.

Também há outros casos não diretamente relacionados ao desabamento dos edifícios, como o de "um parto muito complicado que tivemos que atender ontem, e no qual, felizmente, conseguimos salvar as vidas da mãe e da criança", acrescentou.

Zannini disse que, nas primeiras horas após o terremoto, chegavam feridos em situação tão grave que muitos morriam no hospital, mas que, agora, não chegam mais em tão mau estado, apesar de precisarem de cirurgia.

Até o momento, e desde que ocorreu o terremoto, há três dias, as equipes da MSF conseguiram tratar e estabilizar cerca de 1,5 mil feridos, em suas instalações e em hospitais de campanha.

Também começaram a realizar operações cirúrgicas de emergência no hospital Choscal do bairro de Cité Soleil, um dos mais pobres de Porto Príncipe.

Uma equipe de cirurgiões e anestesistas da MSF chegou a Porto Príncipe para reforçar o pessoal que já estava no local no momento do terremoto.

O médico descreveu que, "durante o dia, vemos as pessoas vagando pela cidade pedindo ajuda, pedindo comida e procurando parentes".

Os feridos estão sendo transferidos para os hospitais em carros, motos, carrinhos de mãos e todo tipo de veículo, disse.

O terremoto de 7 graus na escala Richter aconteceu às 19h53 de Brasília da terça-feira e teve epicentro a 15 quilômetros de Porto Príncipe, a capital do país. A Cruz Vermelha do Haiti estima que o número de mortos ficará entre 45 mil e 50 mil.

Na quarta-feira, o primeiro-ministro do país, Jean Max Bellerive, havia falado de "centenas de milhares" de mortos.

O Exército brasileiro confirmou que pelo menos 14 militares do país que participam da Minustah morreram em consequência do terremoto.

A brasileira Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, ligada à Igreja Católica, também morreu no tremor.

Diferente dos dados do Exército, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, aumentou hoje o número de mortos para 17 - considerando as mortes de Luiz Carlos da Costa, funcionário da ONU, e de outro brasileiro que não identificou -, segundo informações da "Agência Brasil". EFE vh/an

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