Milhares de pessoas se dirigiram à Praça Vali Asr, no centro da capital do Irã, Teerã, nesta terça-feira, para realizar uma manifestação de apoio ao presidente reeleito em uma votação contestada pela oposição, Mahmoud Ahmadinejad. O ato público é realizado no dia seguinte a uma grande manifestação dos partidários do candidato derrotado à Presidência, Mir Hossein Mousavi.

Fontes hospitalares disseram que oito pessoas morreram em confrontos ocorridos no final do protesto.

Os manifestantes da oposição marcaram outro ato nesta terça-feira na mesma praça onde estão os partidários de Ahmadinejad. Mas Mousavi pediu a seus simpatizantes que não compareçam a esta manifestação em meio a receio de mais violência nas ruas de Teerã.

Dezenas de ativistas da oposição foram presos desde o início dos protestos, iniciados quando Ahmadinejad foi anunciado como vitorioso nas eleições presidenciais de sexta-feira. Entre eles está Mohammad Ali Batahi, um colaborador próximo do ex-presidente Mohammad Khatami.

Mais cedo, o poderoso Conselho dos Guardiões do Irã, órgão que supervisiona a eleição presidencial, anunciou que está disposto a recontar os votos do pleito contestados pela oposição. Mas um porta-voz do conselho disse à TV estatal iraniana que a eleição não será anulada, como exigem os candidatos moderados.

A oposição alega que milhões de cédulas eleitorais desapareceram.

As autoridades iranianas anunciaram ainda amplas restrições ao trabalho da imprensa internacional no país.

Jornalistas estrangeiros foram proibidos de cobrir manifestações sem uma permissão oficial específica. Várias agências de notícias estão se limitando a distribuir fotos tiradas de imagens da TV oficial iraniana da manifestação pró-Ahmadinejad.

Segundo o repórter da BBC em Teerã, Jon Leyne, a restrição é uma prova de que uma grande batalha está sendo travada nos bastidores para decidir como responder à crise.

A TV estatal iraniana disse que "os principais agentes por trás dos distúrbios" foram detidos, e armas e explosivos foram confiscados.

Maior protesto em 30 anos
O protesto de segunda-feira envolveu centenas de milhares de pessoas e foi um dos maiores desde a Revolução Islâmica no Irã, há 30 anos.

Segundo a rádio iraniana, no fim do ato público - considerado "ilegal" pelas autoridades - quando as pessoas se dirigiam "pacificamente" para casa, teriam ocorridos os incidentes violentos que resultaram na morte de oito pessoas.

"Vários vândalos queriam atacar um posto militar e depredar propriedade pública nas redondezas da Praça Azadi", disse a emissora, referindo-se ao local do protesto.

Imagens do incidente mostraram homens armados, em trajes civis mas usando capacetes, apontando armas de fogo contra a multidão do teto do posto militar.

Preocupação internacional
O correspondente da BBC em Teerã afirma que está diminuindo o apoio das autoridades ao presidente Ahmadinejad.

O presidente do Parlamento, Ali Larijani, condenou a resposta aos protestos. Segundo a mídia iraniana, Larijani disse: "O ministro do Interior é responsável por isso."
O líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, ordenou a abertura de um inquérito para investigar as alegações de irregularidades na votação.

A forma como as autoridades lidaram com os protestos atraiu críticas da comunidade internacional.

Ministros do Exterior da União Europeia manifestaram "séria preocupação" e pediram um inquérito para investigar a eleição.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que estava "profundamente preocupado" com a violência no Irã.

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