Milhares de paquistaneses lembram Bhutto no aniversário de morte da ex-premiê

Igor G. Barbero.

EFE |

Islamabad, 27 dez (EFE).- O Paquistão lembrou hoje o primeiro aniversário do assassinato da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, com o Governo do presidente Asif Ali Zardari - viúvo da ex-líder -, em meio a uma perigosa escalada de tensão com a Índia.

Dezenas de milhares de paquistaneses lembraram com atos e homenagens por todo o país a então líder do Partido Popular do Paquistão (PPP), que foi assassinada em um atentado na cidade de Rawalpindi, vizinha a Islamabad, apenas dois meses após seu retorno do exílio.

Os atos mais importantes ocorreram no mausoléu familiar em Naudero, onde Bhutto está enterrada, e no parque de Rawalpindi onde aconteceu o atentado que matou a ex-premiê.

A ex-primeira-ministra estava no teto solar de seu veículo, ao final de um comício, quando ocorreu a explosão - cometida por um suicida - que fez com que ela batesse a cabeça e morresse, segundo as investigações da Scotland Yard.

A imprensa paquistanesa publicou hoje dezenas de anúncios do Governo, de partidos políticos, embaixadas e empresas em memória da ex-líder, a quem dedicaram extensos suplementos especiais.

O Governo declarou o dia de hoje como feriado e aumentou as medidas de segurança em vários pontos do país, no qual houve de debates sobre a figura de Bhutto a minutos de silêncio, além de manifestações, doações de sangue e orações coletivas.

Bhutto continua sendo o símbolo do PPP que, liderado de fato por Zardari após a morte da esposa, venceu as eleições legislativas de fevereiro graças à onda de repulsa pelo assassinato da ex-premiê, e que forçou em agosto a renúncia de Pervez Musharraf como presidente.

Em mensagem à nação publicada pela imprensa, Zardari disse hoje que Benazir sempre será lembrada como a líder que "deu voz aos que não tinham", e disse as pessoas normais que estiveram em contato com ela se transformaram em "gente extraordinária".

"Peço às forças democráticas que se dediquem a combater o extremismo, fortalecendo as instituições democráticas", disse Zardari, acrescentando que o assassinato de Bhutto "não foi um ataque contra ela", mas "contra a viabilidade do Estado, para enfraquecer os esforços de construir estruturas democráticas".

O primeiro-ministro paquistanês, Yousaf Raza Gillani, disse, em outro comunicado, que Bhutto "mostrou ser uma líder mundial e elevou a imagem do Paquistão", e expressou que 27 de dezembro "é o dia mais importante na história do Paquistão".

Durante estes meses, o PPP usou o nome de Bhutto para dezenas de causas, edifícios, leis, fundações, ruas e inclusive o aeroporto internacional de Islamabad, que foi rebatizado.

O Banco Estatal do Paquistão (banco central) colocou hoje em circulação 300 mil moedas de 10 rúpias (0,10 euro) com a imagem da falecida líder e o lema "Mártir Benazir Bhutto, filha do Leste", a alcunha pela qual era conhecida.

A cúpula do partido e milhares de simpatizantes foram até Naudero para levar flores, cantar e participar dos atos de homenagem, mas as autoridades decretaram a suspensão da principal reunião, por motivos de segurança, segundo o canal privado "Dawn".

As imagens divulgadas pelas televisões locais mostraram as multidões concentradas nas imediações do túmulo de Bhutto, coberto de pétalas.

Zardari chegou ontem ao local junto com as filhas Asefa e Bakhtawar e o filho, Bilawal, além de outros parentes.

No parque de Rawalpindi junto ao qual aconteceu o atentado, centenas de pessoas foram lembrar a falecida líder com velas e retratos, em uma homenagem que continuou durante o dia todo.

As autoridades paquistanesas não conseguiram ainda averiguar quem esteve por trás do assassinato de Bhutto.

O anterior Governo do general Musharraf acusou Baitullah Mehsud, líder dos talibãs paquistaneses, pelo ato que levou à morte de Bhutto, mas o chefe do grupo desmentiu essa informação.

O Executivo do PPP, que diminuiu a credibilidade da acusação contra Mehsud, solicitou há alguns meses à ONU a criação de uma comissão de investigação, ainda à espera de aprovação.

Enquanto isso, o Paquistão enfrenta um difícil momento, com uma forte crise econômica e de segurança, e uma escalada na tensão com a Índia, após os atentados de novembro em Mumbai. EFE igb/an

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