Milhares de manifestantes voltam a pedir eleições antecipadas na Tailândia

Dezenas de milhares de pessoas protestaram hoje pelas ruas de Bangcoc em uma nova tentativa de pressionar o Governo da Tailândia a dissolver o Parlamento e convocar eleições antecipadas.

EFE |

Os manifestantes da chamada Frente Unida para a Democracia e contra a Ditadura, conhecidos como 'camisas vermelhas', causaram o caos na região do centro da capital tailandesa, onde estabelecimentos comerciais e lojas de departamento frequentados por turistas e tailandeses mais ricos fecharam suas portas por medo de distúrbios.

O Governo do primeiro-ministro e líder do Partido Democrata, Abhisit Vejjajiva, pôs nas ruas de Bangcoc 50 mil soldados das forças de segurança durante mais um dia de protestos, feitos em sua maioria por tailandeses da zona rural.

"Chegou o momento de os desfavorecidos se libertarem da opressão deste Governo apoiado pela elite. Queremos que o Governo dissolva o Parlamento imediatamente", disse aos manifestantes Jatuporn Prompan, um dos líderes da Frente, antes de iniciar a passeata.

Desde dia 14 de março, quando a Frente retomou os protestos, os 'camisas vermelhas' se manifestaram de forma pacífica, embora pelo menos 15 pessoas tenham ficado feridas pela explosão de granadas jogadas contra edifícios públicos, agências bancárias e quartéis de Bangcoc em eventos relacionados à instabilidade política.

Na capital tailandesa, há também cidadãos que não são simpáticos aos 'camisas vermelhas'.

Um jovem tailandês aparentemente incomodado com a manifestação jogou o Porsche que dirigia contra uma fileira de motocicletas estacionadas e feriu um 'camisa vermelha'.

A intervenção de membros da brigada antidistúrbios evitou que o agressor, detido pela ação e por portar uma arma, fosse linchado pelos manifestantes.

A algumas centenas de metros, segundo a Polícia tailandesa, um desconhecido lançou uma bomba de pouca potência sobre um grupo de manifestantes a partir de uma motocicleta, sem deixar feridos.

Além de forçar o fechamento de estabelecimentos comerciais no centro de Bangcoc, outros 30 mil seguidores da Frente se manifestaram em frente à sede do canal estatal de televisão "NBT", que acusam de divulgar informações falsas sobre o movimento.

Os líderes dos 'camisas vermelhas' asseguraram que prolongarão as manifestações no centro da capital por mais dois dias e que continuarão com os protestos "até vencer a batalha".

"Hoje é um novo dia em que declaramos guerra para obter a democracia, e amanhã alcançaremos a vitória decisiva", acrescentou Prompan em suas declarações aos manifestantes.

A Frente considera o Governo de coalizão capitaneado pelo Partido Democrata como ilegítimo por não ter sido eleito nas urnas, mas por meio de pactos parlamentares, após a dissolução do Executivo anterior em dezembro de 2008 por fraude eleitoral.

Na sexta, mil pessoas, em sua maioria empresários, se manifestaram em Bangcoc vestindo camisas rosas para mostrar seu apoio ao Governo de Vejjajiva e pedir ao primeiro-ministro que ponha fim à crise política vivida na Tailândia desde o golpe de Estado contra o ex-premiê Thaksin Shinawatra em dezembro de 2006.

O Governo prorrogou a Lei de Segurança Interna na capital até o dia 7. Em vigor desde 11 de março, a norma permite que as autoridades estabeleçam controles, imponham toques de recolher e proíbam reuniões públicas.

Após dois encontros para negociações, os líderes dos 'camisas vermelhas' rejeitaram nesta semana a oferta do primeiro-ministro de dissolver o Parlamento e realizar eleições legislativas no final de 2010.

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