Milhares de manifestantes cercam sede temporária do Governo tailandês

Bangcoc, 25 nov (EFE).- Milhares de manifestantes cercaram hoje a sede temporária do Governo tailandês no velho aeroporto da capital, Bangcoc, um dia após fazerem o mesmo no Parlamento e quase três meses após a ocupação do palácio do Governo na cidade.

EFE |

O cerco se estendeu depois ao quartel-general das Forças Armadas para impedir que o Governo transferisse para lá a reunião de urgência que previa realizar, em outro movimento da disputa entre autoridades e oposição.

Os partidários da Aliança do Povo para a Democracia (APD), entidade que organiza os protestos, começaram a chegar na noite de segunda à sede provisória do Executivo após realizarem várias manifestações contra o Parlamento, a central da Polícia Metropolitana e o Ministério das Finanças.

Suriyasai Katasila, coordenador da plataforma cívica, afirmou que "o tempo para negociar com o Governo acabou" e exigiu a renúncia de todo o Gabinete e seus aliados.

Katasila acrescentou que as manifestações continuarão até que seus objetivos sejam alcançados, apesar de outros dirigentes da APD terem prometido se render caso perdessem o que chamaram de "grande batalha" de segunda, que acabou com uma vitória da oposição nas ruas, mas sem nenhuma renúncia na Administração.

O ex-primeiro-ministro Samak Sundaravej, inabilitado pelo Tribunal Constitucional em setembro, transferiu os escritórios do Governo para o aeroporto de Don Muang, cerca de 30 quilômetros ao norte de Bangcoc, quando se convenceu de que não poderia expulsar a Aliança da sede governamental, ocupada em 26 de agosto.

O subdiretor do velho aeroporto da capital usado por companhias aéreas de baixo custo, Wisit Iewprapa, afirmou que a segurança foi reforçada e os vôos não foram prejudicados.

Durante a invasão das instalações do aeroporto, vários manifestantes agrediram um coronel da Polícia, publicou o jornal local "The Nation".

O primeiro-ministro da Tailândia, Somchai Wongsawat, deve retornar na quarta-feira a seu país, após ter participado da cúpula do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec) realizada no último fim de semana em Lima, de onde reiterou que não renunciaria.

Os dirigentes da Aliança, que anunciaram que manteriam o cerco de Don Muang por três dias, indicaram a possibilidade de impedir com outro bloqueio que o primeiro-ministro possa sair do aeroporto de Suvarnabhumi após sua chegada.

Os manifestantes também colocaram um ônibus na entrada do palácio governamental, transformado em seu quartel-general e onde milhares de tailandeses acampam e recebem alimento gratuito, assistência sanitária, roupas e até serviço de massagens.

A crise no país começou quando os aliados políticos do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, acusado de corrupção e compra de votos da população rural pela Aliança, venceram as eleições há um ano.

Shinawatra, deposto em um golpe militar em 2006, está exilado em Dubai e sobre ele pesa uma condenação de dois anos de prisão pelo crime de abuso de poder cometido quando desempenhava o cargo de primeiro-ministro. EFE grc/ev/fal

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