Milhares de italianos saem às ruas para pedir renúncia de Berlusconi

Oposição reafirma que primeiro-ministro não é capaz de tirar o país da crise econômica. Em resposta, Berlusconi diz que não irá renunciar e que sua batalha continua

EFE |

Milhares de pessoas participaram neste sábado de uma manifestação convocada pelo Partido Democrata (PD) para pedir a renúncia do primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi, em Roma. O PD está há meses pedindo a saída do poder do líder italiano. Segundo a oposição, Berlusconi não tem mais apoio da maioria dos parlamentares e não é capaz de tirar o país da crise econômica.

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Italianos foram às ruas neste sábado para pedir a saída de Berlusconi
O lema do protesto foi "Reconstrução, em nome do povo italiano". No lugar das bandeiras de partidos políticos, os manifestantes levaram à praça em frente à Catedral do Bispo de Roma as cores da Itália: vermelho, verde e branco.

O protesto contou com a participação de vários partidos de oposição. No local, o clima era de indignação, principalmente em relação à declaração de Berlusconi de que a Itália não atravessa uma crise pois "os restaurantes estão cheios, e os voos e hotéis lotados".

Alguns cartazes ironizavam as palavras do primeiro-ministro e diziam: "Vou ao restaurantes, mas para lavar os pratos". Durante a concentração o líder do PD, Pier Luigi Bersani, lançou as promessas do partido em caso de eleições antecipadas.

"A nossa Europa não é a da direita de Angela Merkel (chanceler da Alemanha) e Nicolas Sarkozy (presidente da França). É preciso mandar Berlusconi de volta para casa. Se ele não for sozinho, o Parlamento fará isso", afirmou Bersani.

A batalha continua

Após as manifestações, Silvio Berlusconi disse que não tem nenhuma intenção de renunciar ao cargo e que continuará sua batalha. "Existem intrigas e fofocas sobre a queda do governo, mas sinto desiludir os nostálgicos da Primeira República (período da política italiana que foi de 1946 a 1994), época na qual os governos duravam onze meses" afirmou o líder.

O bilionário político, de 75 anos, qualifica de traidores os deputados do seu partido, o PDL, que romperam com a coalizão, mas diz que vai conversar para atraí-los de volta. Na semana passada, dois deputados do conservador PDL desertaram para o centrista UDC, reduzindo a bancada pró-Berlusconi para prováveis 315 parlamentares, um a menos que a maioria absoluta.

No mês passado, Berlusconi foi submetido a um voto de confiança e conseguiu o apoio da maior parte do Parlamento a uma moção de confiança ao seu governo. Caso saísse derrotado na ocasião, o premiê teria de renunciar ao cargo.

A vitória de Berlusconi, porém, foi apertada: 316 parlamentares votaram a favor da moção de confiança, enquanto 301 votaram contra. O fato do premiê não ter conseguido o apoio de uma maioria sólida indica que ele terá dificuldades para aprovar leis em meio à crise econômica que atinge a Itália.

*com AFP, EFE e Reuters

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