Milhares de iranianos se reúnem em dia de luto

TEERÃ - Centenas de milhares de iranianos encheram o centro de Teerã nesta quinta-feira, em uma grande manifestação de luto pelas vítimas da repressão policial nos protestos contra os resultados das eleições presidenciais iranianas, realizadas no dia 12 de junho.

Redação com EFE |


À frente da manifestação estava novamente o líder da oposição, Mir Hussein Mousavi, que convocou seus seguidores a "manterem vivos os protestos", mas sempre "de forma pacífica", disseram vários participantes à Agência Efe.

As mesmas pessoas afirmaram que, pela primeira vez, grupos de partidários de Mousavi controlavam a multidão para evitar os enfrentamentos com as forças de segurança e os grupos de milicianos islâmicos Basij.

A mobilização foi maior nesta quinta-feira, reunindo quase um milhão de pessoas que, segundo os organizadores, lotaram a praça e as ruas. Famílias inteiras marcharam em silêncio para prestar homenagem às sete pessoas que, segundo dados oficiais, morreram nos cinco protestos contra os resultados das eleições presidenciais.

Alguns carregavam cartazes dizendo "Quem matou nossos irmãos?" e "Onde estão os mortos?". Entre a multidão, o nome de Ghandi e sua resistência pacífica contra o colonialismo britânica foram lembrados, disseram testemunhas à Efe.

Reuters
Iranianos protestam nas ruas de Teerã

Iranianos protestam nas ruas de Teerã

Durante mais um dia, as autoridades impediram a presença da imprensa internacional em Teerã. Apesar de todas as dificuldades, a oposição iraniana parece estar decidida a manter seu desafio ao governo.

A Associação de Clérigos Combatentes solicitou uma permissão ao governo civil de Teerã para realizar uma nova manifestação, na qual está prevista a presença de pessoas de todos os cantos do país.

Segundo o site pró-reformista "Kalame", o pedido foi feito, por carta, para que uma concentração de três horas seja autorizada com a presença da imprensa estrangeira. Na carta, está previsto que participem Mousavi, membros da associação e o ex-presidente reformista Mohamad Khatami.

Khatami e Mousavi também enviaram outra carta ao chefe do Poder Judiciário, o aiatolá Mahmoud Hashemi Sahrudi, pedindo que atue imediatamente contra "aqueles que organizam a violência".

O chefe da campanha de Mousavi, na província do Golestan, no noroeste do país, também denunciou enfrentamentos e afirmou que os causadores "não são partidários de Mousavi, nem estão vinculados com ele".

Na segunda-feira, algumas das famílias foram chamadas para reconhecimento dos corpos, três dias depois dos incidentes ocorridos depois de uma manifestação na Praça de Azadi, no oeste de Teerã.

Pessoas próximas de uma das vítimas relataram a jornalistas iranianos que o número de mortos é maior e que os corpos apresentam golpes e ferimentos de bala, informação que não foi confirmada por outras fontes.

O ministro iraniano do Interior, Gholam Hussein Mohseni Ejeii, anunciou na quarta-feira que 30 pessoas foram presas, acusadas de organizarem os distúrbios.

No dia seguinte, anunciou que as Forças de Segurança conseguiram desmantelar grupos "terroristas vinculados a inimigos estrangeiros", no mesmo dia das eleições, que pretendiam atacar colégios eleitorais.

Nesta quinta, o Conselho de Guardiães, que deve validar os resultados, convocou os três candidatos derrotados para uma reunião, com o objetivo de analisar as queixas de fraude.

Segundo o porta-voz do poderoso conselho, os reformistas Mousavi e Mehdi Karroubi, e o conservador Mohsen Rezaei apresentaram um total de 646 denúncias sobre irregularidades cometidas durante o processo de votação.

Em declarações à televisão nacional, o porta-voz afirmou que entre as queixas destacam a "carência e o atraso na chegada das cédulas de voto e a influência sobre o povo para que votasse por um candidato".

Além disso, fizeram um pedido de análise do desvio de algumas das mais das 13 mil urnas móveis das zonas rurais, onde o presidente Mahmoud Ahmadinejad consagrou sua vitória.

Em seus 30 anos de existência, o Conselho de Guardiães nunca tomou uma decisão de tamanha importância como a anulação de eleições, exigida pela oposição.

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