Milhares de gregos protestam uma semana após policial matar rapaz

Adriana Flores Bórquez Atenas, 13 dez (EFE).- Milhares de gregos manifestaram-se hoje de forma pacífica ao se completar uma semana da morte de um adolescente morto pela Polícia, um feito com que desencadeou a pior crise social das últimas décadas na Grécia.

EFE |

Centenas de estudantes sentaram em frente ao Parlamento, no lugar do túmulo do Soldado Desconhecido, com rosas e velas nas mãos em memória de Alexis Grigoropulos, de 15 anos, morto pelo tiro de um policial.

Apesar de não se registrar confrontos, houve momentos de tensão quando 100 agentes antidistúrbios foram recebidos com gritos de "Policiais, porcos assassinos" e "Protejam-se, chegaram os assassinos de uniforme".

Diante das delegacias de diversos pontos da capital, grupos de adolescentes, acompanhados por alguns professores, concentraram-se para expressar sua repulsa pela violência policial, o que causou retenções isoladas no trânsito.

A Polícia está em alerta porque grupos radicais convocaram para hoje mesmo uma concentração no lugar em que morreu Grigoropulos, o que pode terminar em novos incidentes violentos.

Na segunda maior cidade grega, Salônica, cerca de mil estudantes e trabalhadores protestaram sob uma chuva torrencial contra a morte do jovem.

Diversos vândalos quebraram câmaras de vigilância de alguns bancos diante da passividade da Polícia, que não interveio para evitar distúrbios.

Os moradores do bairro Exarhia, onde foi morto o adolescente, pediram hoje que a rua onde ele morreu, cheia de flores e velas, receba seu nome.

A mãe do policial acusado da morte do jovem, Epaminontas Korkoneas, pediu hoje "mil, mil perdões" à família da vítima na emissora ateniense "Alpha".

Korkoneas foi muito criticado pela imprensa, por não expressar arrependimento pelo sucedido e por suas insinuações sobre o suposto comportamento conflituoso do jovem morto, negado por seus professores e amigos.

A mãe de Grigoropulos também falou na emissora e declarou que não desejava vingança e que só queria chorar a perda de seu filho.

Uma primeira avaliação dos danos da onda de violência dos últimos dias eleva a 400 as lojas destruídas e situa as perdas em mais de 200 milhões de euros (US$ 267,8 milhões), ao que se acrescenta uma queda 20% nas vendas, em plena temporada de Natal.

A gestão da crise pesou também para o Governo conservador, como demonstra uma das primeiras pesquisas após o início dos distúrbios, publicada hoje na revista dominical "Proto Zema", que situa o partido da situação, Nova Democracia, quase cinco pontos abaixo do partido socialista grego (Pasok).

Entre os entrevistados, 55% disseram que a Polícia foi ineficaz em seu trabalho de resguardar os bens públicos e privados durante os distúrbios.

Segundo analistas consultados pelo canal "Alter", a crise afetou todo o sistema político, ao aumentar a brecha entre os políticos e a juventude.

O desprestígio da classe política parece afetar todos os partidos, já que uma pesquisa do instituto "Focus" mostra que Nova Democracia perdeu 5% de apoio nos últimos 20 dias, o Pasok 2,5% e os únicos que avançaram, apenas 0,3%, foram os comunistas.

A crise castigou os partidos majoritários e diante da falta de alternativas, a abstenção é a principal opção dos eleitores, segundo a pesquisa, elevando-se a 37%, 10 pontos percentuais a mais do que no mês passado.

Essa elevada taxa de abstenção contrasta com o fraco apoio da Nova Democracia, com 20,6%, e do Pasok, com 26,2%.

Por sua parte, o primeiro-ministro democrata-cristão Costas Caramanlis declarou, de Bruxelas, que não renunciará e pediu à população que distinga entre os que protestam pela morte de Grigoropulos e "os elementos extremistas" que aproveitam a situação para causar mais violência e destruição. EFE afb/jp

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG