Milhares de franceses protestam contra reforma das aposentadorias

Centenas de milhares de manifestantes protestaram nesta quinta-feira contra a reforma das aposentadorias na França, que aumenta para 41 anos a duração do tempo de serviço, uma das principais medidas prometidas pelo presidente de direita Nicolas Sarkozy.

AFP |

Diferentes centrais sindicais foram às ruas expressar com unanimidade sua rejeição ao projeto e sua defesa da "aposentadoria solidária".

Uma centena de manifestações foi programada para acontecer hoje em todo o país.

"Menos de 500.000 (manifestantes) seria uma decepção", afirmou o secretário-geral de uma das grandes centrais, a Força Operária, Jean-Claude Mailly.

Na manhã de hoje, várias manifestações foram registradas na região oeste, principalmente em Rouen (norte), onde se reuniram entre 7.500 e 15.000 pessoas, no porto de Le Havre, entre 5.000 e 15.000, e em Le Mans, entre 8.000 e 15.000.

Na região dos Pirineus (sul), entre 5.900 e 10.000 pessoas, entre as quais um grande número de trabalhadores do setor privado, protestaram em Tarbes. Em Lyon (centro-leste), entre 8.500 e 12.000 desfilaram pelas ruas da cidade, e entre 6.500 e 15.000 fizeram o mesmo no porto mediterrâneo de Toulon.

Em Paris, a manifestação começou por volta das 14h30 (9h30 de Brasília), na tradicional Praça da Bastilha, e o trajeto do cortejo incluiu a travessia das principais artérias leste-oeste da capital francesa, para terminar na Praça Saint Augustin.

"O governo terá de rever seu projeto sob pressão" dos manifestantes nas ruas, afirmou nessa quinta-feira Bernard Thibault, secretário-geral da principal organização sindical, a Confederação Geral do Trabalho (CGT).

O primeiro-ministro francês, François Fillon, já descartou, contudo, rever o aumento do tempo de serviço para 41 anos para a aposentadoria, que começará a valer a partir de 2009.

As centrais contam, sobretudo, com uma grande mobilização de rua para medir o êxito da jornada de protestos.

Não houve uma convocação formal à greve, mas foram feitas ameaças de paralisação para que os trabalhadores pudessem participar das passeatas. Na empresa nacional de ferrovias, a SNCF, por exemplo, o percentual de funcionários grevistas chegou a um quarto do total.

Índices menos importantes foram registrados em outros serviços, como os Correios (9%), a France Telecom (18%), a empresa de eletricidade EDF (13,6%) e a fornecedora de gás GDF (10%).

Na região de Paris, o tráfego de metrôs, ônibus e trens regionais era normal. Em cidades como Marselha (sul), Estrasburgo (leste) e Lyon (centro), foram registrados alguns distúrbios no serviço de transporte público.

Apesar das habituais divergências, duas das maiores centrais sindicais não são contra a mudança nas aposentadorias aprovada pelo governo, mas não apóiam o cronograma de sua aplicação.

cds-jba/ap/tt

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