Milhares de estudantes protestam contra reformas na Colômbia

Pouco mais de meio milhão de estudantes estão em greve nas universidades há mais de um mês em rejeição a projeto do governo

iG São Paulo |

Milhares de estudantes saíram nesta quinta-feira às ruas das principais cidades da Colômbia em rejeição a um projeto de reforma da educação superior, o qual o presidente Juan Manuel Santos propôs retirar caso seja encerrada a greve universitária iniciada há um mês.

AP
Estudantes protestam contra reformas do governo para ensino superior em Medellin, na Colômbia

Em Bogotá, os estudantes se concentraram em frente às sedes de suas universidades e realizaram uma passeata por diversas ruas até a praça Bolívar, no centro da capital, onde encerraram a manifestação com discursos e canções e devem acampar durante a noite.

Carregando bandeiras e com os rostos pintados, os estudantes levavam cartazes que diziam: "não educamos capital humano, mas seres humanos" e "não à mudança da lei, sim à mudança do país".

Várias jovens erguiam cravos "para dar de presente aos policiais quando chegarmos ao centro". A segurança em Bogotá foi reforçada nesta quinta-feira com 2,5 mil agentes, segundo a prefeitura.

Manifestações semelhantes ocorreram nas principais cidades de Colômbia, entre elas Medellín, no noroeste do país, e Cali, no sudoeste, com participação em massa.

Pouco mais de meio milhão de estudantes das 32 universidades públicas da Colômbia estão em greve há um mês, em rejeição a um projeto de reforma da lei de educação superior. Segundo os estudantes, as reformas têm como objetivo privatizar seus centros de estudo.

Os jovens questionam o fato de esse projeto legislativo não ter sido debatido com o setor universitário antes de ser apresentado ao Congresso, o qual o governo do presidente Santos tem ampla maioria.

Os protestos estudantis e as críticas do setor acadêmico levaram na quarta-feira o presidente a declarar que retiraria o projeto de reforma se a greve universitária fosse encerrada.

"Vocês convocaram essa greve para que a reforma fosse retirada e já respondemos positivamente à sua solicitação. Vamos retirar a reforma se encerrarem a greve e voltarem às aulas. Aqui não há nenhuma ameaça", disse Santos nesta quinta-feira, ao ratificar a decisão.

"Está aberto o convite àqueles que protestam para que se sentem conosco e com os demais atores do setor, para conversarmos sobre do que nossa educação superior precisa, ponto por ponto", completou.

Os estudantes anunciaram que realizarão uma assembleia nacional no próximo sábado para decidir sobre o fim da greve universitária. "Retirar a reforma é uma saída demagógica para que se diga que há diálogo, que o governo é conciliador. Mas eles vão montar uma nova reforma e não vão nos levar em conta", disse à AFP um dos manifestantes, Leonardo González, de 24 anos, e a ponto de se formar na Universidade Pedagógica.

Clara Arciniegas, estudante do sexto semestre da Universidade Pedagógica, questionou, por sua vez, que com o projeto legislativo "nossa universidade se tornaria um instituto educativo e isso não é justo".

A reforma da lei busca assegurar a sustentabilidade fiscal dos centros de educação superior, assim como aumentar sua cobertura com aumento dos créditos educativos, segundo afirma o projeto.

De acordo com seus críticos, no caso de a reforma ser aplicada nas universidades, essas obteriam uma porcentagem cada vez menor de recursos públicos.

As universidades públicas da Colômbia receberam cerca de 0,46% do PIB entre 2002 e 2011, de acordo com um estudo do Centro de Pesquisa para o Desenvolvimento. "Não gostamos da lei, porque a educação não é um serviço, é um direito", aifrmou em meio à marcha Mercedez Ruiz, estudante de 16 anos.

Com AFP

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