Milhares de chilenos lembram 38 anos de golpe militar

Em meio a onda de protestos por melhorias na educação, chilenos marcham para lembrar golpe. Polícia prende 24 pessoas

EFE |

Milhares de chilenos, entre eles, organizações de direitos humanos, estudantes e familiares de vítimas da ditadura de Augusto Pinochet, marcharam neste domingo até o memorial do Cemitério Geral para lembrar os 38 anos do golpe militar. A Polícia deteve pelo menos 24 pessoas durante incidentes durante e depois da passeata.

A manifestação foi marcada pelo luto que o país vive após o acidente aéreo no arquipélago Juan Fernández , que provocou a morte de 21 pessoas que iam ao local para ajudar e observar o andamento da reconstrução do local após o tsunami de 27 de fevereiro de 2010, depois do terremoto.

Reuters
Manifestantes entraram em confronto com a polícia durante ato em memória do golpe militar

"Estamos aqui pelo fim da impunidade e pela justiça social, para que as pessoas tenham direito à educação e saúde de qualidade e gratuita, e pelo fim da criminalização", afirmou aos jornalistas Lorena Pizarro, presidente do Agrupamento de Familiares de Presos Desaparecidos. Lorena se referia ao conflito estudantil que se estende desde meados de maio no Chile e aos problemas que afetam o setor da saúde, cujos funcionários convocaram uma greve nacional para a próxima semana.

Para Alicia Lira, presidente do Agrupamento de Familiares de Presos Políticos, a chegada do direitista Sebastián Piñera à presidência marcou um retrocesso nas investigações. "Criaram uma série de impedimentos e por causa disso não houve mais avanços nas investigações sobre as violações aos direitos durante a ditadura de Augusto Pinochet (1970-1973) nos últimos anos", destacou Alicia.

A presidente do Agrupamento de Familiares de Presos Políticos afirmou que diante das torturas cometidas durante a ditadura, "esta homenagem é por uma sociedade que não pode ser orientada pela impunidade, porque senão os crimes voltarão a se repetir". As declarações das presidentes foram interrompidas por um grupo de 50 encapuzados que entrou ao Cemitério Geral, enquanto os familiares das vítimas do regime militar prestavam homenagem no memorial dos presos desaparecidos.

A Polícia montada se dirigiu ao local, onde foram registrados fortes enfrentamentos, enquanto Lorena e os deputados Hugo Gutiérrez e Jorge Teiller tentaram impedir os conflitos sem sucesso. Ao mesmo tempo, do lado de fora do cemitério, mais de 100 encapuzados atacavam a polícia com pedras e objetos, além de agredirem as equipes de imprensa, rádio e televisão, deixando um repórter ferido por uma pedrada em uma das mãos.

O coronel da Polícia chilena, Jorge Muñoz, que estava no comando das forças policiais, calculou que "pelo menos 300 encapuzados" atacaram tanto a polícia, que lançou água e gás lacrimogêneo sobre os revoltosos, quanto os integrantes da manifestação e os jornalistas. Muñoz garantiu que há feridos em seu pessoal, entre eles um policial que caiu de seu cavalo e foi atacado, além de civis e que pelo menos 15 rapazes foram detidos.

Enquanto a cerimônia era realizada no Cemitério Geral, dirigentes do Partido Socialista e do Partido Comunista colocaram flores no monumento do presidente Salvador Allende (1970-1973) que está localizado na Praça da Constituição próximo ao Palácio de La Moneda.

O presidente do Partido Socialista, Osvaldo Andrade, que destacou o legado do ex-presidente Allende, afirmou que "sentia vergonha de ver o Palácio de La Moneda rodeado por barreiras metálicas e cheio de policiais". Antes dos conflitos, durante a madrugada, foram registrados diversos incidentes em Santiago e outras cidades, deixando como saldo um policial ferido, destroços na via pública, cortes de luz em vários municípios e pelo menos seis detidos.

Na região metropolitana de Santiago houve disparos para o alto, fogueiras e barricadas no município de São Bernardo, onde um combustível incendiou um microônibus e em pleno centro da capital chilena, um grupo de rapazes incendiou uma cabine de segurança.

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