Milhares comparecem à abertura da Jornada Mundial da Juventude na Austrália

Antonio Lafuente Sydney (Austrália), 15 jul (EFE).- Milhares de peregrinos católicos foram hoje à cerimônia de inauguração da Jornada Mundial da Juventude na cidade de Sydney, que a partir da próxima quinta contará com a presença do papa Bento XVI.

EFE |

A inauguração aconteceu no píer de Barangaroo, às margens do oceano Pacífico, onde se reuniram milhares de peregrinos provenientes de diferentes países de todos os continentes.

O ato começou com a chegada de uma grande cruz de madeira que jovens peregrinos levaram até Sydney após uma viagem por todo o país e continuou com cânticos aborígines, uma saudação de boas-vindas do primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd, e uma missa celebrada pelo cardeal de Sydney, George Pells.

Na homilia, Pells enviou uma mensagem aos jovens para que desenvolvam uma missão evangelizadora não apenas na Austrália - país no qual apenas cinco milhões dos 21 milhões de habitantes são católicos -, mas no mundo todo.

"O chamado de Cristo é para todos os que sofrem, não apenas para católicos ou pessoas de outras religiões, mas especialmente para aqueles sem religião. Cristo os está chamando para retornar para casa, para viver o amor, para a reconciliação e a comunhão", declarou Pells.

As palavras do cardeal australiano são pronunciadas depois de, no último sábado, Bento XVI afirmar que a Austrália e o Ocidente - ao qual disse que a Austrália pertence pelas razões "históricas e políticas" - vivem uma crise de religiosidade.

A falta de fé, segundo o papa, "é produzida pelo fato de as pessoas pensarem que podem cuidar de si mesmas e que não necessitam de Deus para serem felizes nem para criar nosso mundo".

O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, quando perguntado se a escolha de Sydney como sede da Jornada Mundial da Juventude tinha relação com esta crise de religiosidade, comentou que sim, e afirmou que o papa "sempre quer dar uma mensagem" na designação dos locais nos quais são realizadas.

A de Sydney "se tratou de uma escolha original e valente. Um sinal do interesse pela Igreja Católica da Austrália de encorajar os católicos" e lhes dar "um sinal de esperança", declarou Lombardi.

Os organizadores esperam reunir este ano 225 mil pessoas, um número inferior ao de outras oportunidades, o que justificaram não apenas pela baixa religiosidade do país, mas também pela distância e pelo elevado custo da viagem.

Enquanto "a festa da fé", como a definiu no sábado Bento XVI, começou hoje em Sydney, o papa continuou nas Montanhas Azuis - próximas desta cidade - seu repouso após a viagem de 21 horas de Roma à Austrália.

Já a Coalizão NoAlPapa deu hoje as boas-vindas aos peregrinos que chegaram a Sydney com algumas cartas nas quais juntavam preservativos para explicar "que eles têm o direito de tomarem decisões quanto ao comportamento que considerarem adequado em matéria de sexualidade", afirma o porta-voz da organização, Max Wallace.

O envio das cartas pôde ser realizado após os tribunais australianos anularam a lei promulgada pelo Governo que multava em até US$ 5 mil quem "incomodasse" um peregrino com críticas à religião católica.

A Coalizão NoAlPapa convocou para sábado uma manifestação para protestar contra as posturas da Igreja Católica diante do homossexualismo, do aborto, da Aids e dos métodos anticontraceptivos. EFE alg/fh/fal

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