Milhares comemoram fim da Guerra do Iraque em Falluja

Antes da retirada total dos soldados americanos, marcada para dia 31, iraquianos vão às ruas festejar o 'fim da ocupação'

iG São Paulo |

Iraquianos queimaram bandeiras dos Estados Unidos, agitaram cartazes e lotaram as ruas de Falluja, no oeste do Iraque, para celebrar a retirada das tropas norte-americanas do país. A saída dos soldados será completada em 31 de dezembro .

Leia também: Obama discursa em base militar e marca fim da Guerra do Iraque

Reuters
Residentes se reúnem em Falluja para comemorar saída das tropas americanas

Falluja, de maioria sunita, já foi reduto da Al-Qaeda e registrou algumas das mais violentas batalhas em quase nove anos de guerra. Cerca de 3 mil moradores participaram de uma passeata levando cartazes com os dizeres "Falluja, cidade da resistência" e fotos de moradores mortos pelos ocupantes.

"As celebrações marcam um dia histórico para a cidade de Falluja, e devemos lembrar com orgulho dos mártires que sacrificaram seu sangue por esta cidade", disse Dhabi al-Arsan, vice-governador da província de Anbar, dirigindo-se à multidão.

Enquanto isso, nos Estados Unidos, o presidente Barack Obama discursou para soldados que foram à guerra, na base militar de Fort Bragg, na Carolina do Norte.

Os combatentes da insurgência iraquiana fizeram de Falluja a sua base ao longo do conflito, e em 2004 a cidade registrou duas batalhas importantes. Forças dos EUA usaram a força bruta, incluindo tanques, caças e helicópteros, para esmagar a resistência, em combates que deixaram centenas de mortos e milhares de desabrigados.

"Estou contente por ver os norte-americanos deixando o Iraque. Só agora sentimos realmente o gosto da liberdade e da independência", disse o taxista Ahmed Jassim, 30 anos, agitando uma bandeira iraquiana. "Não vamos mais ver as forças norte-americanas. Elas nos evocam conflito e destruição."

Depois de chegar a ter cerca de 170 mil soldados no país, os EUA hoje mantêm apenas cerca de 5,5 mil, que devem sair até o final do mês. Só um pequeno contingente de instrutores civis e cerca de 200 adidos militares devem permanecer, devido à proteção da Embaixada dos EUA em Bagdá.

Muitos iraquianos aguardam com alívio e esperança o fim da ocupação, apesar do temor de recrudescimento da violência sectária. Atentados e assassinatos entre xiitas e sunitas continuam sendo comuns no país.

"Depois que os norte-americanos saírem, queremos ver um Iraque unido, não queremos disputas", disse o clérigo sunita Hameed Jadou à multidão. "Quem diz que se trata de um iraquiano sunita, xiita, curdo ou turcomeno está usando termos trazidos pelo ocupante."

Carolina do Norte

Acompanhado da primeira-dama Michelle, o presidente Barack Obama deu boas-vindas aos militares que já regressaram aos Estados Unidos e aplaudiu o que chamou de ""realização extraordinária" e declarou que a Guerra do Iraque está chegando ao fim "não com uma batalha final, mas com uma marcha em direção à casa".

No discurso, que marcou o fim da Guerra do Iraque, antes da retirada total dos soldados do país, Obama mostrou o lado humano da guerra, destacando a bravura e os sacrifícios das tropas americanas. Ele relembrou o início do conflito, em 2003, quando ele era somente um senador de Illinois.

"Nós sabíamos que esse dia iria chegar. Mas ainda assim, há algo profundo sobre o fim dessa guerra que durou tanto tempo."

Com Reuters

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